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CAOS NA SAÚDE? TROCA DE SISTEMA GERA RECLAMAÇÕES, ATRASOS E LEVANTA DÚVIDAS SOBRE PRESERVAÇÃO DO HISTÓRICO DOS PACIENTES DURANTE A GESTÃO CLAUDEMIR BORGES
Jornal Tribuna de Leme | 02/08/2026

CAOS NA SAÚDE? TROCA DE SISTEMA GERA RECLAMAÇÕES, ATRASOS E LEVANTA DÚVIDAS SOBRE PRESERVAÇÃO DO HISTÓRICO DOS PACIENTES DURANTE A GESTÃO CLAUDEMIR BORGES

A implantação do novo sistema informatizado da Secretaria Municipal de Saúde de Leme tem sido acompanhada por uma série de reclamações de pacientes e profissionais da rede pública.

Nas últimas semanas, usuários têm relatado dificuldades para agendar consultas, demora nos atendimentos e interrupções provocadas por instabilidades no sistema, situação que, segundo relatos recebidos pelo Jornal Tribuna de Leme, tem causado transtornos em diversas unidades de saúde do município.

PARA MUITOS MORADORES, O PROBLEMA VAI ALÉM DA TECNOLOGIA

A principal preocupação é que uma mudança dessa dimensão deveria ocorrer de forma planejada, garantindo continuidade no atendimento e minimizando impactos para quem depende diariamente do SUS.

PACIENTES RELATAM CONSULTAS PREJUDICADAS

Entre as reclamações encaminhadas à reportagem estão relatos de pacientes que compareceram às unidades de saúde e encontraram dificuldades para serem atendidos em razão de problemas no sistema.

Também há relatos de atrasos significativos nas consultas e de dificuldades enfrentadas pelos próprios servidores para acessar informações necessárias durante o atendimento.

Enquanto isso, moradores afirmam que a espera por atendimento tem aumentado justamente em um momento em que a demanda da rede municipal já é elevada.

HISTÓRICO CLÍNICO PREOCUPA PACIENTES E PROFISSIONAIS

Outro tema que passou a gerar preocupação envolve relatos de dificuldades no acesso ao histórico clínico de alguns pacientes durante a utilização do novo sistema.

Segundo informações encaminhadas à reportagem, profissionais teriam encontrado dificuldades para visualizar registros anteriores de consultas, exames e acompanhamentos médicos em determinados atendimentos.

Se confirmadas, situações desse tipo podem impactar a continuidade do cuidado, já que o histórico clínico auxilia os profissionais na tomada de decisões, no acompanhamento da evolução do paciente e na avaliação da necessidade de novos exames ou encaminhamentos.

RISCO DE IMPACTO NOS REPASSES DA SAÚDE

Além dos transtornos enfrentados por pacientes e profissionais, a implantação do novo sistema também levanta outra preocupação: o impacto sobre a produtividade da rede municipal de saúde e, consequentemente, sobre os recursos recebidos pelo município.

Grande parte dos atendimentos realizados na Atenção Primária e em outros serviços da rede pública precisa ser registrada nos sistemas oficiais para posterior envio das informações ao Ministério da Saúde. Esses registros são utilizados para comprovar a produção das equipes e integram os critérios de monitoramento e financiamento das ações e serviços de saúde.

Se, durante a implantação do novo sistema, atendimentos deixarem de ser registrados corretamente ou houver dificuldades no envio dessas informações, existe o risco de comprometimento dos indicadores de produtividade, o que pode refletir nos repasses financeiros vinculados ao desempenho e à produção da rede, conforme as regras dos programas de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Embora ainda não exista confirmação de que isso tenha ocorrido em Leme, profissionais da área demonstram preocupação com a possibilidade de perdas de registros durante esse período de transição.

Caso esse cenário venha a se concretizar, os reflexos podem ir além da instabilidade tecnológica. Menores registros de produção podem significar menos recursos para custear serviços, ampliar equipes e fortalecer a rede municipal de saúde, justamente em um momento em que a população já enfrenta dificuldades para conseguir consultas, exames e atendimento.

Diante disso, surgem novos questionamentos de interesse público: todos os atendimentos realizados durante a implantação estão sendo registrados adequadamente? Existe um plano de contingência para evitar perda de informações e de produtividade? A Secretaria de Saúde está monitorando possíveis impactos nos indicadores utilizados pelo Ministério da Saúde? Há garantia de que o município não sofrerá prejuízos financeiros em razão da transição do sistema?

IMPLANTAÇÃO EXIGE PLANEJAMENTO

A substituição de um sistema que concentra informações da rede municipal de saúde é um processo complexo.

Especialistas em tecnologia aplicada à gestão pública costumam recomendar etapas como migração segura das informações, testes prévios, treinamento das equipes, implantação gradual, monitoramento constante e planos de contingência para evitar interrupções nos serviços.

Quando essas etapas encontram dificuldades, os reflexos costumam atingir diretamente quem mais precisa do atendimento.

SECRETARIA SEGUE SEM TITULAR DEFINITIVO

O momento também coincide com a ausência de um secretário municipal de Saúde nomeado.

Desde a saída da ex-secretária Lisete Ganéo, a pasta ainda não teve um novo titular anunciado oficialmente, permanecendo sob responsabilidade da administração municipal até a definição de um novo gestor.

Em uma área tão sensível quanto a saúde pública, moradores e profissionais defendem que decisões estratégicas sejam acompanhadas de planejamento, comunicação clara e respostas rápidas à população. Enquanto isso, pacientes continuam relatando dificuldades para acessar um serviço essencial.

É lamentável tanto descaso...