AÇÃO NA JUSTIÇA QUESTIONA CONTRATAÇÃO DE SIMONE MENDES: R$ 850 MIL POR UM SHOW: POR QUE A PREFEITURA PAGA O CACHÊ MAIS CARO DA FAPIL?
Ação na Justiça questiona contratação de Simone Mendes e levanta dúvidas sobre prioridades do dinheiro público
A Prefeitura de Leme colocou R$ 850 mil dos cofres públicos na contratação do show de Simone Mendes para a FAPIL 2026. O contrato é questionado em uma Ação Popular que pede à Justiça a suspensão da contratação e, posteriormente, a anulação do contrato.
Mas existe uma pergunta que chama ainda mais atenção: Se a FAPIL é organizada por uma empresa privada, que explora comercialmente a festa por meio da venda de camarotes, patrocinadores, praça de alimentação e outros espaços, por que a Prefeitura decidiu justamente bancar o show de maior valor da programação?
A empresa privada participa de um processo licitatório para organizar o evento e, como qualquer empresa, busca que a festa seja economicamente viável e gere lucro. Então, por que o maior cachê da grade precisa sair do bolso do contribuinte?
POR QUE JUSTAMENTE O SHOW MAIS CARO?
A ação questiona a contratação de Simone Mendes por R$ 850 mil e aponta que a Prefeitura poderia ter escolhido outros artistas do mesmo segmento, já que existe ampla oferta de atrações de notoriedade semelhante. O processo sustenta que não teria sido demonstrada a chamada singularidade do objeto que justificaria a contratação sem competição.
E é aí que surge uma pergunta simples, que qualquer cidadão pode fazer:
- Se havia outras atrações disponíveis, por que não contratar um show mais barato e economizar dinheiro público?
- Quem decidiu que justamente o show de R$ 850 mil deveria ser pago pela Prefeitura?
- Qual foi o critério utilizado para escolher o cachê mais caro da programação?
E, principalmente: POR QUE O CONTRIBUINTE PAGA ENQUANTO A FESTA É EXPLORADA COMERCIALMENTE POR UMA EMPRESA PRIVADA?
Não se questiona aqui o direito da empresa organizadora de vender camarotes, buscar patrocinadores, comercializar a praça de alimentação ou obter lucro com a festa. O questionamento é outro: se a iniciativa privada explora comercialmente o evento e tem interesse econômico na sua realização, por que o Poder Público assume justamente a maior despesa artística?
A própria Ação Popular levanta esse problema ao questionar a quem efetivamente aproveita a realização do evento e se existe benefício público proporcional ao dinheiro empregado.
ENQUANTO ISSO, FALTAM RECURSOS EM ÁREAS ESSENCIAIS
A discussão ganha ainda mais peso diante das informações apresentadas na Câmara Municipal sobre o orçamento da Saúde.
Segundo o Coordenador de Planejamento da Secretaria de Saúde, foram solicitados R$ 3,135 milhões para a frota da Saúde, mas o orçamento aprovado ficou em R$ 1,094 milhão. Para a Santa Casa, a necessidade apontada era de R$ 34,115 milhões, contra R$ 31 milhões aprovados. Já para o Cismetro, responsável pelo fornecimento de médicos, foram solicitados R$ 9,666 milhões, mas apenas R$ 3 milhões foram previstos.
De um lado, milhões faltando para ambulâncias, Santa Casa e médicos. Do outro, R$ 850 mil para um único show.
E a pergunta que fica para a população é simples: Se era possível contratar um artista mais barato, por que Leme escolheu pagar o mais caro?
A situação chama ainda mais atenção porque o Tribunal de Justiça de São Paulo anulou recentemente a contratação de Ana Castela para a FAPIL 2025, no valor de R$ 750 mil, justamente por entender que não ficou demonstrada a singularidade da contratação e a inviabilidade de competição.
Agora, uma nova contratação, ainda mais cara, volta a ser questionada na Justiça.
R$ 850 mil por um show. Dinheiro público. Uma festa explorada comercialmente. E uma pergunta que continua sem resposta: por que o maior cachê da FAPIL precisa ser pago pelo contribuinte?