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UNIFORMES CAROS, DE QUALIDADE QUESTIONADA E AINDA INCOMPLETOS: CRIANÇAS NÃO RECEBERAM UNIFORMES DE INVERNO EM LEME
Jornal Tribuna de Leme | 10/05/2026

UNIFORMES CAROS, DE QUALIDADE QUESTIONADA E AINDA INCOMPLETOS: CRIANÇAS NÃO RECEBERAM UNIFORMES DE INVERNO EM LEME

Com a chegada de maio e a queda nas temperaturas, uma preocupação toma conta das famílias de alunos da rede municipal de ensino de Leme: onde estão os uniformes de inverno?

A Prefeitura iniciou, de forma tardia e incompleta, a entrega dos kits escolares, disponibilizando apenas os uniformes de verão, justamente no momento em que o frio começa a chegar. Enquanto isso, crianças seguem indo para a escola sem a devida proteção contra o clima mais frio, um cenário que escancara, mais uma vez, a falta de planejamento da Secretaria de Educação.

Mas o problema não para por aí: Além do atraso e da entrega parcial, pais e responsáveis vêm relatando problemas na qualidade dos uniformes distribuídos. Segundo diversas reclamações, o material apresenta baixa durabilidade, com peças que já se deterioram após poucas lavagens.

E O QUE MAIS CHAMA A ATENÇÃO É O CUSTO

Até 2019, último ano antes da pandemia, o investimento na aquisição dos uniformes girava em torno de R$ 1,5 milhão. Já a partir de 2023, na gestão do prefeito Claudemir Borges, esse valor saltou para mais de R$ 4 milhões, chegando a aproximadamente R$ 4,3 milhões em 2025, um aumento de cerca de 184%.

Tudo isso em um cenário em que a inflação acumulada no período ficou entre 45% e 50%, ou seja, o valor pago pelos uniformes está muito acima do que seria justificável.

Diante disso, surge a pergunta inevitável: por que pagar mais caro por um produto que ainda recebe críticas quanto à qualidade?

A RESPOSTA PODE ESTAR NAS MUDANÇAS REALIZADAS NOS EDITAIS DE LICITAÇÃO.

Desde a atual gestão, foram incluídas exigências adicionais de certidões e laudos técnicos que, na prática, têm levado à desclassificação de empresas com propostas significativamente mais baratas.

No Pregão nº 100/2025, por exemplo, empresas apresentaram propostas cerca de 30% menores que a vencedora. Ainda assim, foram desclassificadas por critérios técnicos específicos, abrindo caminho para que a empresa Comercial KRF Ltda fosse novamente a vencedora do certame.

O resultado? Uma sequência de licitações com valores elevados, empresas concorrentes sendo eliminadas e a repetição da mesma vencedora.

ENQUANTO ISSO, A POPULAÇÃO SENTE NA PELE.

Crianças sem uniforme adequado para o frio, pais insatisfeitos com a qualidade do material e um gasto público que levanta questionamentos.

O caso levanta dúvidas sobre a condução dos processos licitatórios e reforça a necessidade de maior fiscalização por parte do Poder Legislativo, que tem como função acompanhar de perto a aplicação dos recursos públicos.

No fim, quem paga a conta é sempre o mesmo: o cidadão.

E, neste caso, principalmente as crianças, que deveriam ser prioridade, mas seguem enfrentando o frio sem o uniforme adequado.