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REVOLTA EM LEME: SERVIDORES ESPERAM VALORIZAÇÃO, ENQUANTO CARGOS POLÍTICOS DISPARAM NA PREFEITURA DURANTE A GESTÃO DO PREFEITO CLAUDEMIR BORGES
Jornal Tribuna de Leme | 29/03/2026

REVOLTA EM LEME: SERVIDORES ESPERAM VALORIZAÇÃO, ENQUANTO CARGOS POLÍTICOS DISPARAM NA PREFEITURA DURANTE A GESTÃO DO PREFEITO CLAUDEMIR BORGES

A indignação tomou conta dos servidores públicos de Leme. Promessas, reuniões, discursos… e na prática, nada muda. A tão falada reestruturação administrativa, anunciada diversas vezes pelo prefeito Claudemir Borges, segue parada — e o que se vê é uma categoria cada vez mais desacreditada.

PROMESSAS QUE NÃO SAEM DO PAPEL

Na última quarta-feira, 18 de março, o Sindicato dos Servidores Públicos de Leme se reuniu com o prefeito, junto com equipe jurídica, secretarias e representantes da categoria. Na pauta, um tema essencial: o enquadramento dos profissionais da Educação Infantil na carreira do magistério, conforme determina a Lei nº 15.326/2026, mas a resposta foi a mesma de sempre.

Segundo a administração, o processo é “complexo”, envolve mudanças no Estatuto do Magistério e exige análise de diversos setores como Finanças, Jurídico e Departamento Pessoal. Uma justificativa que já não convence mais.

Especialistas apontam que esse tipo de trâmite é comum na administração pública e depende, acima de tudo, de vontade política.

COMPLEXIDADE PARA UNS… FACILIDADE PARA OUTROS

Se para garantir direitos dos servidores tudo é difícil, demorado e “complexo”, para criar cargos comissionados a história é bem diferente.

Desde 2021, a atual gestão criou 5 cargos de Secretários Adjuntos, cada um com salário base de R$ 9.808,24.

Só esses cargos geram custos de R$ 49.041,20 por mês e R$ 588.494,40 por ano na folha de pagamento.

E não para por aí: Foram criados também 5 cargos de pregoeiros, com gratificação mensal de R$ 4.034,73 cada.

Impacto de R$ 20.170,00 por mês e R$ 242.040,00 por ano na folha de pagamento.

Na prática, servidores que prestaram concurso para ganhar cerca de R$ 3 mil passam a receber mais de R$ 7 mil com gratificações.

E os nomes que ocupam esses cargos chamam atenção: esposa de vereador, ex-secretários e indicados políticos.

Além disso, a gestão ainda criou:

- 1 cargo de Membro de Equipe de Apoio em Pregões

- 1 cargo de Agente de Contratação

O impacto orçamentário anual adicional: R$ 31.124,76

TOTAL DO IMPACTO: MAIS DE R$ 860 MIL POR ANO

Somando apenas esses cargos, o custo aos cofres públicos chega a R$ 71.804,93 por mês e R$ 861.659,16 por ano. E tudo isso aprovado com rapidez, sem discursos sobre “complexidade” ou entraves técnicos.

DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

A contradição revolta. Enquanto professores da Educação Infantil lutam pelo reconhecimento de um direito garantido em lei, enfrentando burocracia e desculpas, a máquina pública segue abrindo espaço — e o bolso — para cargos políticos.

A impressão é clara: Falta dinheiro para quem trabalha e sobra dinheiro para quem é indicado.

DESIGUALDADE DENTRO DA PRÓPRIA PREFEITURA

Hoje, a folha de pagamento da Prefeitura gira em torno de R$ 21 milhões mensais, com cerca de 3 mil servidores, entre concursados e contratados via consórcio.

Uma média de R$ 7 mil por servidor. Mas a realidade é outra: Enquanto muitos servidores recebem menos de R$ 2 mil, outros ultrapassam esse valor com gratificações e cargos indicados politicamente. Uma distorção que escancara a desigualdade dentro da própria estrutura pública.

INVERSÃO DE VALORES

O cenário expõe uma gestão onde: Valorizar servidor é difícil, cumprir a lei é demorado e reconhecer direitos é “complexo”, mas, criar cargos com altos salários é rápido, nomear aliados é simples e aumentar gastos com indicações é prioridade. Simples, assim!

COBRANÇA POR RESPOSTAS

Servidores estão cansados de esperar. A cobrança agora é por ação, não por promessa.

Porque, no fim das contas, quem mantém a máquina pública funcionando são os servidores — e não os cargos políticos.

E a pergunta que fica é: Até quando a valorização vai ficar só no discurso?

Foto: Sindicato dos Servidores Públicos Municipais