QUEM MANDA NA SAÚDE? MUTIRÃO “SURPRESA” LEVANTA DÚVIDAS E EXPÕE DESORGANIZAÇÃO NA GESTÃO EM LEME
Um vídeo divulgado no sábado, 25 de abril, pelo prefeito Claudemir Borges, ao lado da vereadora Cintia Grossklauss, anunciando um mutirão de consultas e exames que teria atendido cerca de 600 pessoas, acabou gerando mais dúvidas do que respostas.
Isso porque, segundo informações obtidas pelo Jornal Tribuna de Leme, nem mesmo a cúpula da Secretaria de Saúde tinha conhecimento prévio da ação.
A revelação acende um alerta: quem, de fato, está comandando a saúde pública do município?
AÇÃO SEM PLANEJAMENTO?
Relatos indicam que unidades de saúde foram comunicadas apenas no final da tarde de sexta-feira, com a orientação de avisar pacientes às pressas para atendimento no dia seguinte.
Uma mobilização de última hora, sem planejamento estruturado e sem divulgação ampla à população. Enquanto isso, milhares de pessoas seguem aguardando meses, e até anos, por consultas e exames.
NÚMEROS QUE NÃO FECHAM
Apesar da divulgação de grande volume de atendimentos, chama atenção o número de exames realizados. Foram pouco mais de 20 eletrocardiogramas, em um município onde a demanda é alta e há filas expressivas para esse tipo de procedimento.
Se a necessidade é tão grande, por que a ação não foi planejada para atender de forma mais ampla? Por que não houve divulgação para alcançar mais pessoas?
POLÍTICA OU SAÚDE PÚBLICA?
A falta de alinhamento interno e a ausência de planejamento levantam questionamentos inevitáveis se a ação foi realmente coordenada pela Secretaria de Saúde, se houve organização técnica ou foi uma medida pontual e se o objetivo era resolver problemas ou gerar visibilidade política? A ausência de informações claras só aumenta a desconfiança.
E OS CUSTOS?
Outro ponto que precisa ser esclarecido: qual foi o custo da ação? Médicos receberam hora extra? Houve contratação específica para o mutirão?
Sem transparência, ficam lacunas importantes para a população entender como os recursos públicos estão sendo utilizados.
PROBLEMA ESTRUTURAL NÃO SE RESOLVE EM UM DIA
Especialistas são unânimes em afirmar que ações pontuais não resolvem problemas estruturais. A saúde pública exige planejamento contínuo, investimento constante e gestão eficiente. Um único dia de atendimento não é suficiente para reduzir filas acumuladas ao longo de meses.
ENQUANTO ISSO, OUTRAS PRIORIDADES
O episódio também reacende um debate maior sobre prioridades da gestão. Enquanto a população enfrenta dificuldades no acesso à saúde, o município segue investindo valores elevados em eventos e festividades.
O contraste é evidente: de um lado, filas e espera e do outro, investimentos em entretenimento.
POPULAÇÃO COBRA RESPOSTAS
Diante dos fatos, a principal pergunta segue sem resposta: quem realmente está no comando da saúde em Leme? A falta de planejamento, comunicação e transparência expõem fragilidades na gestão e reforça a sensação de improviso.
Enquanto isso, a população continua esperando, não por ações pontuais, mas por soluções reais.
Vamos continuar acompanhando e cobrando!