QUANDO UMA PINTA PODE VIRAR UM CÂNCER?
Elas podem parecer inofensivas, mas as pintas pelo corpo às vezes escondem diagnósticos graves. Embora a maioria não represente um risco à saúde, algumas características podem ser sinais de alerta para o melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. Mas como identificar esses alertas?
Segundo Luís Fernando Sayago França, médico dermatologista, além da avaliação profissional ser essencial, existe um método que pode ajudar a população a observar sinais de alerta. Trata-se da regra do ABCDE das pintas:
- A de assimetria: se você dividisse a pinta imaginariamente ao meio, os dois lados deveriam ser idênticos ou muito parecidos. Se não são ou um dos lados começa a mudar, é bom averiguar;
- B de borda: espera-se que a borda seja regular e bem definida. Variações, interrupções, irregularidades e borramentos são sinais de alerta;
- C de cor: alguma variação de tons da mesma cor, geralmente marrom, pode ser normal. Porém, a presença e/ou o aparecimento de diferentes cores na mesma pinta deve ser avaliado;
- D de diâmetro: é controverso falar que determinado tamanho é normal, mas se uma pinta se destaca muito das outras, ou começa a crescer rapidamente, vale a atenção. No geral, pintas acima de 6 mm de diâmetro devem ser examinadas;
- E de evolução: refere-se ao aparecimento de sintomas espontâneos nas pintas, como dor, sangramento, coceira, vermelhidão ou crostas.
A consulta preventiva com dermatologista é essencial. De acordo com o especialista, casos considerados de baixo risco podem ser acompanhados anualmente. Já em casos com histórico pessoal ou familiar da doença, esse intervalo pode ser a cada três ou quatro meses.
Ter muitas pintas é perigoso? O dermatologista ressalta que pessoas com muitas pintas não têm maior risco de desenvolver câncer. “O que aumenta muito o risco de desenvolver melanoma é a presença de um determinado tipo de pinta chamado de nevus displásico, que tem potencial para malignização. E isso independe da quantidade de pintas, ou seja, seria mais a ‘qualidade’ ou tipo de pinta, junto com o histórico pessoal e o familiar”, explica França.
A prevenção, portanto, é a chave. A principal medida é a proteção solar, com o uso de filtro com FPS 30, no mínimo. Mas também é recomendado evitar se expor ao sol em horários mais perigosos, geralmente entre 10h e 16h. Além disso, a indicação é utilizar bonés, chapéus ou viseiras, óculos escuros, roupas com proteção solar e manter-se hidratado.
O que é o melanoma? O melanoma é um tumor maligno que se origina nos melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina, o pigmento que dá cor à pele. De acordo com Daniel Cesar, cirurgião oncológico, este é o câncer de pele mais agressivo porque possui alta capacidade de invadir tecidos profundos e se disseminar para outros órgãos, como pulmões, fígado, cérebro e ossos.
Nos casos avançados, o comportamento biológico do melanoma pode ser bastante agressivo, exigindo tratamentos complexos. A descoberta é feita por meio da biópsia da lesão suspeita, com material analisado por um médico patologista.
Dependendo do caso, exames de imagem podem ser solicitados para avaliar a presença de disseminação para outros órgãos. Já o tratamento, segundo o médico, depende do estágio da doença.
Nos casos iniciais, a cirurgia é o tratamento principal, com taxas de cura superiores a 90%. Em tumores mais avançados, pode ser necessária a avaliação dos linfonodos e a realização de tratamentos complementares”, explica.
Por que o diagnóstico precoce é tão importante? Quando diagnosticado precocemente, as chances de cura do melanoma são muito elevadas. Para Marcos Saramago, oncologista clínico, uma forma simples de entender o diagnóstico precoce é pensar em um incêndio.
“Apagar uma chama pequena é muito mais fácil do que controlar uma casa inteira pegando fogo. Com o melanoma, acontece algo parecido. Quando ele é identificado no começo, geralmente está restrito à pele e pode ser removido com cirurgia. Quando o diagnóstico demora, aumenta o risco e de ele se espalhar para outras partes do corpo, exigindo tratamentos mais complexos”, compara.
Por isso, segundo o médico, vale a pena prestar atenção às pintas e manchas da pele: “Conhecemos o rosto dos nossos filhos, o time do coração e até onde está cada móvel da casa. Conhecer a própria pele também pode salvar vidas. Se uma pinta começou a mudar, não entre em pânico, mas também não ignore. É importante lembrar que ‘olhar’ não basta. Nem o Google, nem a opinião do vizinho, nem aquela foto ampliada no celular conseguem substituir o exame do tecido ao microscópio”, alerta.
Na dúvida, vá até um especialista. Quando o assunto é melanoma, alguns minutos no consultório podem representar muitos anos de vida.
Por Luiza Adorna – Portal Dr. Drauzio Varella