“PROMESSA VAZIA?”: CLAUDEMIR BORGES PROMETE “GRANDE REESTRUTURAÇÃO”, MAS DEIXA MAIS DE 95% DOS SERVIDORES DE FORA E PROJETO PODE TER ILEGALIDADES
O prefeito Claudemir Borges voltou a ser alvo de críticas entre os servidores públicos municipais após o envio e aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 14/2026, que deveria representar, segundo promessas da própria administração, uma ampla reestruturação salarial do funcionalismo público municipal.
Mas, na prática, o que foi apresentado está muito longe daquilo que foi prometido.
O projeto aprovado prevê apenas a reposição inflacionária de 4,26% para todos os servidores e promove reenquadramento salarial de apenas algumas categorias específicas, deixando de fora a esmagadora maioria do funcionalismo público municipal.
Enquanto isso, dezenas de categorias seguem esquecidas, aguardando valorização, reenquadramento e melhorias salariais que nunca chegam.
REESTRUTURAÇÃO PARA POUCOS
O projeto cria novos grupos salariais e beneficia apenas determinados cargos, como odontólogos, enfermeiros, biomédicos, engenheiros, assessores jurídicos e auxiliares de enfermagem.
Na prática, cerca de apenas 12 categorias tiveram algum tipo de reenquadramento, enquanto mais de 95% dos servidores ficaram completamente de fora da chamada “reestruturação”.
Ou seja: o que foi vendido como uma transformação histórica acabou se tornando apenas uma recomposição salarial parcial para alguns grupos específicos.
Servidores ouvidos pela reportagem relatam sentimento de frustração, indignação e revolta. Muitos afirmam que acreditaram no discurso do prefeito de valorização do funcionalismo, mas novamente se sentiram enganados.
CARGOS POLÍTICOS NÃO FALTARAM
O que mais causa indignação entre os servidores é que a Prefeitura alegará, mais uma vez, falta de orçamento para ampliar a reestruturação.
Mas o mesmo governo que agora diz não ter recursos foi o responsável por criar:
• 5 cargos de secretários adjuntos com salários superiores a R$ 9,8 mil;
• 5 cargos de pregoeiros com gratificações mensais acima de R$ 4 mil;
• cargos de agente de contratação e equipe de apoio;
• diversas funções ocupadas por indicações políticas e aliados eleitorais.
Enquanto isso, categorias inteiras seguem sem valorização salarial e aguardando melhorias há anos.
“REESTRUTURAÇÃO” SEM ESTUDO?
Mas o caso pode ser ainda mais grave.
Segundo apontamentos levantados, o projeto aprovado pode apresentar inconsistências jurídicas importantes.
Isso porque o Lemeprev não teria apresentado estudo de impacto financeiro referente ao reenquadramento das categorias beneficiadas, limitando-se apenas à declaração de disponibilidade financeira voltada à recomposição inflacionária.
Especialistas apontam que, quando há reenquadramento funcional e aumento estrutural de despesas, a legislação exige estudo de impacto financeiro detalhado, especialmente diante dos reflexos previdenciários futuros.
Sem isso, vereadores podem ter votado um projeto sem todas as informações legais necessárias.
O caso pode configurar falha formal na elaboração legislativa e possível afronta às normas que regem responsabilidade fiscal e administração pública.
E O SINDICATO?
Outro ponto que vem gerando revolta é o silêncio do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Leme.
Mesmo diante de um projeto que exclui praticamente todo o funcionalismo, a entidade pouco questionou o conteúdo apresentado pelo Executivo.
Para muitos servidores, o sindicato deveria estar liderando a luta por uma verdadeira reestruturação ampla, transparente e igualitária — e não concordando com um projeto considerado incompleto e excludente.
QUEM FICOU DE FORA?
Entre as categorias que seguem aguardando valorização estão:
• Monitores de educação;
• Agentes de saúde;
• Auxiliares administrativos;
• Contadores;
• Diversos outros setores da administração pública.
No caso dos monitores de educação, existe ainda a discussão envolvendo a aplicação da Lei Federal nº 15.326/2026, que trata da integração desses profissionais ao quadro do magistério — pauta que segue sem solução pela Prefeitura.
DISCURSO X REALIDADE
Na internet, o discurso do prefeito Claudemir Borges é de valorização dos servidores públicos, mas, na prática, o projeto aprovado acabou beneficiando apenas alguns grupos específicos, enquanto milhares de servidores seguem aguardando reconhecimento.
Mais uma vez, fica a sensação de que a promessa foi muito maior que a realidade entregue.
Sem contar que a assessoria que “cuida” das redes sociais do Prefeito Claudemir Borges não tem qualquer cuidado e até respeito ao citar que: “mesmo com muitas pessoas dizendo nos tradicionais grupinho de zap que isso não sairia do papel...”.
Do papel saiu e dos “tradicionais grupinhos de zap” a informação correta é publicada.