PREFEITURA DE LEME VAI GASTAR MAIS DE R$ 53 MIL COM ESTRUTURA DA MARCHA PARA JESUS E EVENTO GANHA REPERCUSSÃO POLÍTICA
A Prefeitura de Leme anunciou a realização da 1ª Marcha para Jesus do município, marcada para o próximo dia 6 de junho. O evento terá concentração às 15h no Paço Municipal, percorrendo diversos pontos da cidade e encerrando no Lago Municipal, onde uma série de shows religiosos está programada a partir das 16h.
Mas, o que deveria ser apenas um evento religioso começou a ganhar forte repercussão política e levantar questionamentos sobre gastos públicos, relações políticas e possíveis desgastes para a administração municipal.
Segundo informações divulgadas, a Prefeitura irá gastar mais de R$ 53 mil apenas com estrutura de som, iluminação e infraestrutura para realização do evento.
O assunto ganhou ainda mais repercussão após declaração feita na Tribuna da Câmara Municipal pela vereadora Cintia Grossklauss, que afirmou que os shows da Marcha para Jesus seriam custeados pelo ex-prefeito de Cajamar, Danilo Joan, atualmente pré-candidato a deputado estadual.
A fala chamou atenção porque Danilo Joan recentemente teve o nome ligado à Operação Off-Balance, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga supostas irregularidades envolvendo aplicações financeiras do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC).
Segundo informações divulgadas pela investigação, aproximadamente R$ 107 milhões do fundo previdenciário municipal teriam sido direcionados para investimentos considerados de altíssimo risco entre agosto de 2023 e março de 2024.
Desse montante: cerca de R$ 87 milhões teriam sido aplicados em Letras Financeiras ligadas ao Banco Master; e aproximadamente R$ 20 milhões destinados ao Banco Daycoval.
À época dos fatos investigados, Danilo Joan era prefeito de Cajamar e atualmente ocupa cargo de vice-presidente estadual do PP em São Paulo, além de ser considerado aliado político do senador Ciro Nogueira.
A repercussão em Leme cresceu justamente porque a vereadora atribuiu a realização dos shows à articulação política junto ao ex-prefeito investigado, o que acabou gerando questionamentos nos bastidores políticos da cidade.
Além disso, o uso de recursos públicos para estrutura de evento religioso também passou a ser alvo de críticas de parte da população, especialmente diante de reclamações recorrentes envolvendo: saúde pública; filas de atendimento; problemas estruturais em escolas; buracos; e outras demandas urbanas.
Embora a realização de eventos religiosos seja permitida e comum em diversos municípios, o debate levantado nas redes sociais e nos bastidores políticos gira em torno da prioridade dos gastos públicos e da associação política envolvendo figuras ligadas a investigações federais.
Até o momento, a Prefeitura de Leme não se manifestou oficialmente sobre os questionamentos levantados após a fala da vereadora na Câmara Municipal.