PREFEITO CLAUDEMIR BORGES, MESMO COM PARECER CONTRÁRIO DA SAÚDE MANDA TIRAR AMBULATÓRIO DE PRÉDIO PRÓPRIO PARA ENTREGAR IMÓVEL À ENTIDADE — E POPULAÇÃO PAGA A CONTA
A polêmica envolvendo a cessão de um prédio público da Saúde em Leme ganhou contornos ainda mais graves — e levanta suspeitas de um roteiro cuidadosamente construído para justificar uma decisão altamente questionável.
O alvo da controvérsia é o imóvel que abrigava o Ambulatório de Saúde Mental, serviço essencial à população, que agora pode ser cedido por 30 anos ao Lions Clube de Leme.
A DECISÃO QUE CHOCOU: SAÚDE SAI, ENTIDADE ENTRA
O prefeito Claudemir Borges enviou à Câmara um Projeto de Lei Complementar, em regime de urgência, para autorizar a cessão do imóvel público.
A repercussão foi imediata e negativa. Diante da pressão, os vereadores recuaram e barraram a tramitação em urgência. Mas o projeto continua — agora em ritmo normal.
A justificativa oficial é de que o prédio estava “sem uso” e que a entidade presta relevantes serviços à população, mas os documentos contam outra história.
DOCUMENTO REVELA: DESOCUPAÇÃO FOI ORDEM DO PREFEITO
Um documento anexo ao próprio projeto mostra que a desocupação do imóvel não foi natural — foi determinada diretamente pelo prefeito.
Em despacho oficial, ele ordena a retirada do Ambulatório de Saúde Mental do local, a preparação do imóvel para cessão ao Lions e a execução imediata das medidas administrativas. Ou seja, primeiro tira o serviço, depois diz que o prédio está vazio e então propõe a cessão. Um roteiro que levanta sérias dúvidas.
SECRETARIA DE SAÚDE FOI CONTRA
Antes da decisão, a própria Secretaria de Saúde alertou que não havia conveniência na devolução do imóvel, que o prédio atende plenamente ao interesse público e o espaço integra a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). E foi além: a retirada do serviço geraria novos custos ao município
DE GRAÇA PARA ALUGUEL: A CONTA CHEGA PARA A POPULAÇÃO
Mesmo com o alerta técnico, o que aconteceu? O Ambulatório foi transferido para um imóvel alugado.
E isso traz consequências diretas: pagamento de aluguel mensal, custos de adaptação, gastos com mudança e mais pressão sobre um orçamento já limitado. Ou seja, sai de um prédio próprio (sem custo) e vai para um prédio alugado (com custo).
E o imóvel público? Entregue para outra finalidade.
CONTRADIÇÕES E JUSTIFICATIVAS QUE NÃO CONVENCEM
Durante semanas, foi dito que não haveria impacto financeiro, mas a realidade desmente o discurso.
E mais: a justificativa de que o antigo espaço era inadequado, como afirmou a Vereadora Andrea Mondin em vídeos nas suas redes sociais, levanta outra pergunta inevitável: se era insalubre, por que não reformar? Por que não investir no próprio patrimônio público?
A solução mais lógica — melhorar o que já é do município — foi simplesmente ignorada.
ROTEIRO PRONTO? DECISÕES LEVANTAM SUSPEITAS
A sequência dos fatos chama atenção:
1 - Mudança em regras para cessão de imóveis públicos, impedindo que haja audiência pública para cessão de imóveis públicos
2 - Ordem para desocupar o prédio da Saúde
3 - Transferência para imóvel alugado
4- Envio do projeto para ceder o espaço
Tudo isso em pouco tempo! Para muitos, não se trata de coincidência. Parece planejamento. Parece estratégia. Parece que tudo já estava definido.
E OS VEREADORES? SILÊNCIO E OMISSÃO
Apesar da gravidade do caso, a maior parte dos vereadores tem adotado uma postura de silêncio ou apoio velado.
Enquanto isso falta ambulância, falta investimento na saúde, escolas enfrentam problemas estruturais e servidores aguardam valorização. Mas para essa decisão… há rapidez.
QUEM PAGA A CONTA?
A resposta é simples: a população. Enquanto o município assume novos custos, serviços essenciais são deslocados, e decisões questionáveis avançam, o cidadão continua enfrentando filas na saúde, dificuldades no atendimento e falta de estrutura.
APEL0 À POPULAÇÃO: É HORA DE COBRAR
A decisão ainda depende da Câmara. E é nesse momento que a população precisa agir: Cobrar posicionamento; Exigir transparência; Pressionar seus vereadores.
Porque o que está em jogo não é apenas um prédio. É dinheiro público. É prioridade na saúde. É respeito com a população.
Se hoje é esse imóvel… amanhã pode ser outro.
E a pergunta final que fica é: Você vai aceitar ou vai cobrar quem você elegeu?