O PODER PASSA, A MEMÓRIA FICA
O poder político não é propriedade de quem o ocupa — é uma concessão temporária do povo, com prazo definido e responsabilidade inegociável. Em quatro anos, decisões são tomadas, posturas são observadas e atitudes são registradas na memória coletiva. E, por mais que pareça longo para quem governa, esse tempo passa rapidamente, especialmente para quem se distancia da realidade de quem o elegeu.
A arrogância, a prepotência e a negligência com as demandas da população não se apagam com discursos ou aparições públicas. Pelo contrário, se acumulam como marcas negativas que dificilmente serão esquecidas. O eleitor pode até ser paciente, mas não é ingênuo — e sabe reconhecer quando foi ignorado, desrespeitado ou tratado com indiferença.
A resposta vem no momento mais democrático de todos: o voto.
E quando o mandato termina, resta o que foi construído — ou a ausência disso. Sem legado, sem reconhecimento e, muitas vezes, sem aliados verdadeiros, muitos retornam à condição de cidadãos comuns carregando o peso das próprias escolhas.
Afinal, o poder é passageiro, mas a forma como ele é exercido define como cada um será lembrado quando ele acabar.
Sandra Kauffmann