O CIRCO, O PALHAÇO E OS APLAUSOS QUE UM DIA ACABAM
A vida é um grande circo que se monta e desmonta todos os dias. Mudam os espetáculos, mudam os discursos, mudam até os lugares na arquibancada, mas alguns personagens continuam indispensáveis. Um dia oferecem risos, mesmo que falsos; no outro, oferecem pizza — e pouco importa quem pagou a conta. O importante é manter a encenação e fazer o palhaço acreditar que é parte importante do espetáculo. Ele sorri, comemora, recebe alguns aplausos e saboreia seu pedaço de pizza como se tivesse conquistado um lugar definitivo no picadeiro.
Enquanto isso, quem conhece os bastidores sabe: palhaço útil é aquele que diverte, obedece e não percebe quando estão rindo dele, e não com ele.
Mas todo espetáculo tem hora para acabar. As luzes se apagam, os aplausos cessam, a plateia desaparece e a lona começa a ser desmontada. E então chega a parte que ninguém contou ao palhaço: talvez ele nunca tenha sido dono do circo, estrela do espetáculo ou sequer parte importante da companhia. Talvez tenha sido apenas conveniente enquanto servia ao roteiro.
Porque poder passa, interesses mudam, alianças se desfazem e até a pizza acaba. No final, quando as cortinas se fecharem e cada um seguir seu caminho, restará uma pergunta incômoda: e o palhaço, que acreditou em todos os aplausos, vai finalmente perceber qual era o seu verdadeiro papel nesse circo?