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MINISTÉRIO PÚBLICO APURA POSSÍVEL ESQUEMA NA SAÚDE DE LEME ENVOLVENDO MÉDICOS E AGENTES POLÍTICOS
Jornal Tribuna de Leme | 23/05/2026

MINISTÉRIO PÚBLICO APURA POSSÍVEL ESQUEMA NA SAÚDE DE LEME ENVOLVENDO MÉDICOS E AGENTES POLÍTICOS

Uma denúncia protocolada junto ao Ministério Público aponta graves irregularidades no CMI - Centro Médico Integrado de Leme, envolvendo possível pagamento indevido de recursos públicos, descumprimento de jornada de trabalho por médicos e até indícios de interferência política para impedir apurações.

De acordo com a representação apresentada ao MP, há indícios de um “esquema administrativo” que incluiria simulação de cumprimento de jornada e recebimento indevido de benefícios, o que pode configurar improbidade administrativa e dano ao erário.

MÉDICOS REGISTRARIAM JORNADA COMPLETA, MAS TRABALHARIAM POUCAS HORAS

Segundo o documento, a prática apontada envolve médicos que registrariam entrada e saída regularmente no sistema, mas se ausentariam da unidade por longos períodos, retornando apenas para validar a jornada no final do expediente.

Na prática, isso significaria que profissionais poderiam cumprir apenas parte da carga horária, enquanto os registros indicariam jornada integral, situação que, se comprovada, representa grave violação ao serviço público.

PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE SOB SUSPEITA

Outro ponto central da denúncia é o chamado PPM - Prêmio de Produtividade Médica, criado por lei municipal.

A própria representação aponta que o benefício teria se desvirtuado, passando a ser pago mesmo sem cumprimento efetivo das metas e da jornada, funcionando como uma espécie de remuneração automática.

Curiosamente, o próprio Poder Executivo teria reconhecido falhas no modelo. Um projeto de lei chegou a ser enviado à Câmara propondo a extinção do PPM, sob justificativa de baixa efetividade e aumento das filas de espera por consultas.

PROJETO FOI BARRADO E DEPOIS RETIRADO

Apesar da justificativa do próprio governo, o projeto não avançou na Câmara e sequer foi votado.

Segundo a denúncia, a proposta teria sido retida no Legislativo, e posteriormente retirada após reunião entre o prefeito e médicos, levantando suspeitas de possível blindagem política para manutenção do modelo questionado.

VEREADORA É CITADA EM POSSÍVEL ATUAÇÃO INTERNA

A representação também levanta questionamentos sobre a atuação da vereadora Cintia Grossklauss, que além do cargo político, atua como servidora na unidade de saúde.

Segundo o documento, haveria indícios de que sua atuação poderia ir além da função legislativa, com possível influência no funcionamento interno da unidade — o que, se confirmado, configuraria situação grave.

Além disso, a denúncia aponta possível incompatibilidade entre a intensa agenda política e o cumprimento da jornada como servidora pública, o que também será objeto de apuração.

POPULAÇÃO SOFRE COM FILAS ENQUANTO IRREGULARIDADES SÃO INVESTIGADAS

Enquanto isso, pacientes continuam enfrentando dificuldades para conseguir consultas e exames, cenário que contrasta com os indícios de falhas na gestão e na fiscalização interna.

Relatórios anexados à denúncia indicam que, mesmo com gastos elevados, a demanda reprimida na saúde não foi reduzida, mantendo filas em diversas especialidades.

MINISTÉRIO PÚBLICO DEVE APROFUNDAR INVESTIGAÇÃO

Diante da gravidade dos fatos, foi solicitado ao Ministério Público:

• Apuração completa das irregularidades

• Análise de folhas de pagamento, ponto biométrico e produtividade

• Investigação de possível participação de agentes públicos

• Verificação de dano ao erário

A própria denúncia conclui que o caso pode envolver improbidade administrativa, crimes contra a administração pública e uso indevido de recursos públicos.

O QUE ESTÁ EM JOGO

Se confirmadas, as irregularidades podem representar um dos casos mais graves envolvendo a saúde pública municipal, atingindo diretamente a população que depende do atendimento.

A investigação agora segue sob responsabilidade do Ministério Público.

Vamos acompanhar...