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EDUCAÇÃO DE LEME: MESMO COM O NOVO SECRETÁRIO – VEREADOR E PASTOR ELIAS FERRARA - A INVERSÃO DE PRIORIDADES CONTINUA DURANTE A GESTÃO DO PREFEITO CLAUDEMIR BORGES
Jornal Tribuna de Leme | 09/03/2026

EDUCAÇÃO DE LEME: MESMO COM O NOVO SECRETÁRIO – VEREADOR E PASTOR ELIAS FERRARA - A INVERSÃO DE PRIORIDADES CONTINUA DURANTE A GESTÃO DO PREFEITO CLAUDEMIR BORGES

Uniformes atrasados, escolas com problemas estruturais e milhões já pagos em robótica e câmeras. A gestão da Educação segue sob questionamentos mesmo após mudança no comando da pasta.

O mês de fevereiro terminou e, mais uma vez, os alunos da rede municipal de Leme seguem sem uniforme e sem a entrega regular de materiais escolares. A justificativa oficial é que a Secretaria de Educação ainda está analisando modelos e formalizando o processo de compra. Enquanto isso, pais precisaram tirar do próprio bolso para garantir o básico aos filhos no início do ano letivo.

A troca no comando da pasta — com a saída da primeira-dama Roberta Borges e a entrada do advogado, pastor e vereador Elias Ferrara — gerou expectativa de mudança. No entanto, segundo professores e pais ouvidos pela reportagem, o padrão administrativo segue o mesmo.

MILHÕES EMPENHADOS EM ROBÓTICA EM MENOS DE 30 DIAS

Os números chamam atenção. Apenas em 2026, já sob a gestão do novo secretário, as empresas Maker Educação e Tecnologia Ltda e My Robot Franqueadora Ltda tiveram R$ 5.108.303,70 empenhados. Deste total, R$ 2.804.064,08 já foram pagos até o dia 28 de fevereiro. Está no Portal da Transparência, só verificarem.

Detalhe: as aulas começaram em 04 de fevereiro. Ou seja, em menos de 30 dias letivos, mais da metade do valor já estava paga.

Outro contrato expressivo envolve a empresa Action Digital Solution Comércio Informática Ltda, responsável por câmeras nas escolas. Foram R$ 2.630.903,36 empenhados, com R$ 531.774,95 já pagos até o fim de fevereiro. Enquanto isso, a realidade nas unidades escolares é outra.

ESCOLAS COM INFILTRAÇÃO, MOFO E BEBEDOUROS QUEIMADOS

Relatos apontam escolas com:

• Bebedouros queimados, fazendo alunos tomarem água quente;

• Salas com ventilação precária;

• Problemas de infiltração e mofo;

• Telhados danificados;

• Falta de pintura;

• Brinquedos antigos e quebrados;

• Ausência de monitores para alunos da Educação Inclusiva.

A pergunta que ecoa entre professores e pais é inevitável: por que a prioridade não foi a manutenção básica das escolas e a entrega dos uniformes antes do início das aulas?

E MAIS: RETIRADA DE R$ 5 MILHÕES DO FUNDEB

Para agravar ainda mais a situação, o prefeito enviou à Câmara um projeto em regime de urgência retirando R$ 5 milhões do FUNDEB — originalmente destinados à folha de pagamento dos servidores — para viabilizar a compra dos uniformes escolares.

A medida reforça a crítica de que houve falha de planejamento orçamentário. Afinal, se o uniforme é item essencial e recorrente todos os anos, por que não houve previsão adequada desde o início do exercício?

SILÊNCIO NA CÂMARA

Outro ponto que chama atenção é o silêncio da maioria dos vereadores. Poucos parlamentares têm feito questionamentos públicos mais incisivos sobre a condução da política educacional. A maior parte mantém postura discreta diante dos números e das denúncias.

A PERGUNTA QUE NÃO CALA

Com uma ação judicial do Ministério Público envolvendo o projeto de robótica, porque, sim, o Ministério Público recorreu da decisão favorável do Magistrado na esfera municipal, e questionamentos recorrentes de professores sobre a efetividade pedagógica do programa, cresce a indagação: Qual é o real motivo para tamanha prioridade à robótica enquanto problemas estruturais e básicos seguem sem solução?

A troca de secretário gerou expectativa de mudança. Mas, até aqui, os dados e os fatos indicam continuidade na mesma linha administrativa.

Enquanto isso, mães seguem comprando material escolar com recursos próprios, professores aguardam melhores condições de trabalho e alunos continuam esperando aquilo que deveria ser prioridade desde o primeiro dia de aula.

A educação municipal vive mais um capítulo de polêmica — e a população cobra respostas e nós vamos continuar acompanhando!