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COMO PREVENIR A VAGINOSE BACTERIANA
Jornal Tribuna de Leme | 24/05/2026

COMO PREVENIR A VAGINOSE BACTERIANA

A vaginose bacteriana é uma doença extremamente comum. A maioria das mulheres sofrerá pelo menos um episódio da doença em alguma fase da vida. Segundo a Dra. Diana Vanni, ginecologista e obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein, a vaginose nada mais é do que uma infecção que surge devido ao desequilíbrio da flora vaginal  - a população de bactérias que vive normalmente na região genital feminina.

Os sintomas incluem: odor forte, semelhante ao de peixe podre, e aumento da secreção vaginal, que pode ser de cor branca ou meio acizentada. “A doença é mais perceptível nos momentos em que o pH da vagina se torna mais alcalino, como após a menstruação e a relação sexual”, comenta a ginecologista.

Grosso modo, toda mulher possui uma população de bactérias considerada “protetora”, como os lactobacilos — que mantêm o pH ácido e fazem parte da mucosa vaginal, oferecendo uma barreira competitiva contra a proliferação de bactérias que fazem mal à saúde. A vaginose ocorre quando, por algum motivo, há uma ruptura desse equilíbrio, diminuindo o número de lactobacilos e aumentando o número de bactérias anaeróbias. “É importante ressaltar que essa infecção não tem relação com as infecções sexualmente transmissíveis, pois não é transmitida do homem para a mulher ou vice-versa”, ressalta Vanni.

Em cerca de 1/3 dos casos a vaginose bacteriana desaparece espontaneamente, devido à recuperação da população de lactobacilos. Quando não há regressão, o tratamento inclui antibióticos para matar as bactérias anaeróbias. A administração do medicamento, que deve ser indicado por um médico, pode ser tanto por via vaginal (em creme ou gel) ou oral.

Como evitar a vaginose bacteriana? A Dra. Vanni listou alguns cuidados gerais importantes para prevenir a doença:

- Evite duchas vaginais; Não utilize perfumes na vulva, a parte externa visível da vagina; Evite roupas justas e de material sintético;

- Procure não usar calcinhas estilo fio dental, pois elas promovem um contato quase direto entre a região anal e genital, facilitando a proliferação de bactérias; Acostume-se a dormir sem calcinha, pois a vagina precisa “respirar”;

- Não utilize sabonetes comuns, que têm pH diferente, para limpar a região genital. Opte por sabonetes íntimos;

- Mulheres que usam algum dispositivo intrauterino, como DIU, têm mais risco de apresentar vaginose, fique atenta.

Vaginose bacteriana e parto prematuro: Estudos recentes sugerem que a vaginose bacteriana pode estar relacionada à ocorrência de partos prematuros. Durante a gravidez é normal que haja aumento da secreção vaginal, entretanto, se a grávida notar alguma alteração, principalmente no odor, deve comunicar ao médico.

“As bactérias patogênicas existentes no trato genital podem acabar colonizando os tecidos que correspondem, por exemplo, à bolsa d’água. Essa infecção promove a produção de substâncias pró-inflamatória que podem desencadear tanto as contrações quanto a ruptura da bolsa d’água”, explica a ginecologista.

Por Juliana Conte – Portal Dr. Drauzio Varella