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BRASIL É UM DOS PAÍSES COM MAIS SUPERDOTADOS NO MUNDO
Jornal Tribuna de Leme | 25/02/2026

BRASIL É UM DOS PAÍSES COM MAIS SUPERDOTADOS NO MUNDO

Dados da Mensa Internacional, principal organização de QI do mundo, classificaram o Brasil como o sexto país com mais superdotados registrados. Apesar da posição de destaque, uma publicação da Revista Pesquisa Fapesp aponta que o número de pessoas superdotadas é subnotificado no país.

A neuropsicóloga Taynan Soares explica que as altas habilidades são capacidades em áreas específicas. Já a superdotação é relacionada a uma capacidade intelectual elevada (referente a um QI igual ou superior a 130). O critério é utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A psicóloga esclarece que ambos podem coexistir, mas não é uma regra.

De acordo com a teoria dos três anéis de Joseph Renzulli, para classificar a existência de altas habilidades/superdotação é necessário existir uma interação entre três fatores principais, sendo eles: habilidades acima da média, criatividade e envolvimento com a tarefa - perseverança, dedicação e foco.

“A Avaliação Neuropsicológica é atualmente a forma mais precisa de identificação de AH/SD. Durante a investigação, serão utilizados instrumentos padronizados (testes, escalas e questionários), múltiplas atividades (como jogos, tarefas específicas, etc.), entrevistas com paciente, escola, responsáveis/cuidadores, observação clínica e o embasamento teórico apontado na teoria dos três anéis desenvolvida por Renzulli”, afirma a profissional.

Entre os sinais que uma pessoa superdotada apresenta estão: desempenho cognitivo elevado para a sua idade e/ou nível de escolaridade, agilidade mental para resolução de problemas, facilidade de aprendizagem, ideias inovadoras, vocabulário avançado e originalidade.

A profissional alerta que especialistas podem identificar os sinais de superdotação a partir dos 2 anos e meio, em que podem ser notados os que apontam como altas habilidades.

Porém, os instrumentos mais confiáveis para medir e identificar essas características possuem idade mínima de 6 anos. “Os profissionais devem acompanhar e reavaliar esses pacientes a longo prazo para garantir resultados mais precisos”, esclarece Taynan.

Papel da neuropsicologia com superdotados: Durante a avaliação neuropsicológica, o profissional aplica ferramentas para identificar se existem alguns sinais que indicam a presença ou não de características de altas habilidades e de superdotação, assim, posteriormente, direcionam o paciente, seus responsáveis e as instituições sobre o melhor prognóstico do caso.

Também existem casos de Dupla Excepcionalidade, que se classifica como Altas Habilidades/Superdotação e transtorno do neurodesenvolvimento ou de aprendizagem (TDAH, autismo, dislexia e outros). O que acaba acontecendo é que essas condições podem ser mascaradas ou ignoradas. Dessa forma, o trabalho do neuropsicólogo é importante para que se identifiquem as condições e o paciente seja respaldado da melhor maneira.

Como lidar com o superdotados: A psicóloga alerta que as instituições de ensino devem se orientar a partir das diretrizes sobre pessoas com Altas Habilidades/Superdotadas, disponibilizadas pelo Ministério da Educação, para adaptar o plano pedagógico a fim de apoiar o aluno estimulado nas tais habilidades.

“O papel principal é a identificação e o acolhimento, visto que muitos pacientes podem ser acometidos por algum transtorno mental por se sentir diferente das outras pessoas, por sofrer bullying dos colegas ou por não receber investimento educacional necessário e dessa forma sentir-se pouco desafiado intelectualmente”, finaliza a neuropsicóloga.