TESTE DO PEZINHO: UM EXAME ESSENCIAL PARA A SAÚDE DO RECÉM-NASCIDO
O teste do pezinho é um exame indispensável e realizado em recém-nascidos para detectar precocemente sete condições genéticas e metabólicas que podem impactar o desenvolvimento e a saúde infantil. A Dra. Mariana Poggiali, neonatologista da Rede Mater Dei de Saúde, explica que o teste é feito após a retirada de algumas gotas de sangue do calcanhar do recém-nascido, uma área com alta concentração de vasos sanguíneos, o que permite que a coleta seja rápida e quase indolor.
Para que o exame seja mais eficaz, é recomendado que ele seja realizado entre o terceiro e o quinto dia de vida. “Realizar o exame nesse período é essencial para identificar precocemente diversas doenças. Caso seja detectada alguma condição, o tratamento pode começar o mais rápido possível, prevenindo complicações graves que podem afetar o desenvolvimento e a saúde do bebê e, em alguns casos, até mesmo evitar o risco de morte”, explica a Dra. Mariana.
A janela de tempo específica permite maior precisão no diagnóstico, evitando falsos positivos, como no caso da fibrose cística, e permitindo a avaliação de certas condições que dependem do início da alimentação.
Condições detectadas pelo teste do pezinho: As doenças detectadas pelo procedimento são: a fenilcetonúria, o hipotireoidismo congênito, a fibrose cística, a anemia falciforme, a hiperplasia adrenal congênita, a deficiência de biotinidase e a toxoplasmose congênita.
- A fenilcetonúria é uma condição em que o organismo não consegue metabolizar a fenilalanina, um aminoácido que, sem controle, pode causar danos neurológicos. Já o hipotireoidismo congênito resulta em deficiência de hormônios vitais para o desenvolvimento cerebral e físico. Sem tratamento, ambas as condições podem afetar o desenvolvimento mental e físico da criança.
- A fibrose cística é uma doença genética que compromete o funcionamento das glândulas exócrinas que produzem muco, suor ou enzimas pancreáticas, dificultando a respiração e a digestão. Já a anemia falciforme provoca a deformação dos glóbulos vermelhos, gerando crises de dor e aumento do risco de infecções.
- A hiperplasia adrenal congênita é um distúrbio que afeta a produção de hormônios pelas glândulas suprarrenais, podendo levar a problemas como desidratação grave e alterações no desenvolvimento sexual se não tratada precocemente.
- Já a deficiência de biotinidase impede que o organismo utilize a biotina, uma vitamina essencial para o metabolismo. Sem o diagnóstico precoce e suplementação adequada, a condição pode causar convulsões, atrasos no desenvolvimento e problemas de visão e audição.
- Por fim, a toxoplasmose congênita é causada pela transmissão do parasita Toxoplasma gondii da mãe para o bebê durante a gravidez. Sem tratamento, pode ocasionar problemas como alterações visuais, convulsões e atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor.
Segundo a Dra. Mariana, “o exame também identifica outras possíveis alterações genéticas ou congênitas presentes no período fetal, que podem não ser necessariamente herdadas”.
A importância do diagnóstico precoce: O diagnóstico precoce é fundamental para prevenir complicações que poderiam resultar em sequelas permanentes e comprometer a qualidade de vida do bebê. “O teste do pezinho permite que doenças graves sejam identificadas rapidamente, possibilitando a implementação de tratamentos antes que as manifestações clínicas se tornem irreversíveis”, destaca.
Com um diagnóstico rápido e um tratamento adequado, a criança tem mais chances de crescer com saúde e evitar limitações.
Recomendações para as famílias: Para os pais e cuidadores, a Dra. Mariana recomenda enxergar o teste do pezinho como uma ferramenta preventiva valiosa. “Quanto mais cedo se detecta uma condição tratável, maiores são as chances de iniciar o tratamento necessário, reduzindo complicações e promovendo uma melhor qualidade de vida para o bebê.”
Mesmo nos casos em que a doença diagnosticada não tem cura, o diagnóstico precoce permite que a família busque acompanhamento especializado, essencial para o bem-estar e desenvolvimento adequado da criança.
Então, atenção: faça o teste do pezinho.
Por Gabriella Zavarizzi – Portal Dr. Drauzio Varella