SAÚDE PERDE ESPAÇO NO ORÇAMENTO DE LEME: GESTÃO CLAUDEMIR BORGES PREVÊ AUMENTO DE APENAS 7,1% PARA 2027
Enquanto orçamento geral do município cresce 10,5%, recursos destinados à Saúde avançam menos; Educação terá aumento de 14%, Urbanismo de 32% e Cultura 7,7%
O orçamento de Leme para 2027 começa a revelar quais áreas terão maior espaço nas prioridades financeiras da administração do prefeito Claudemir Borges.
E os números da proposta enviada à Câmara Municipal levantam uma questão que não pode ser ignorada: em um momento em que a população continua cobrando consultas, exames, medicamentos, médicos e atendimento especializado, por que a Saúde terá um crescimento orçamentário inferior ao aumento do orçamento geral do município?
A comparação entre a LOA 2026, já aprovada, e o projeto da LOA 2027 mostra que o orçamento total do município passará de R$ 602,47 milhões para R$ 665,65 milhões, um crescimento de aproximadamente 10,5%.
Na Saúde, entretanto, o crescimento é menor. A função Saúde tinha R$ 152,54 milhões previstos para 2026. Para 2027, a Prefeitura propõe R$ 163,37 milhões, aumento de aproximadamente R$ 10,83 milhões, ou 7,1%.
SAÚDE CRESCE MENOS QUE O PRÓPRIO ORÇAMENTO MUNICIPAL
Na prática, enquanto o orçamento geral cresce 10,5%, a Saúde aumenta apenas 7,1%.
Isso significa que a participação da Saúde no orçamento municipal também diminui: sai de aproximadamente 25,32% em 2026 para 24,54% em 2027. É uma diferença de quase 0,8 ponto percentual.
Pode parecer pouco à primeira vista, mas, quando se trata de um orçamento de mais de R$ 665 milhões, representa uma mudança significativa na distribuição dos recursos. E o cenário chama ainda mais atenção quando comparado com outras áreas.
EDUCAÇÃO CRESCE O DOBRO DA SAÚDE
A Educação, por exemplo, tinha R$ 155,38 milhões na LOA 2026 e aparece com R$ 177,13 milhões na proposta para 2027.
O aumento é de aproximadamente R$ 21,76 milhões, ou 14% — praticamente o dobro do percentual destinado à Saúde. Já o Urbanismo passa de R$ 24,23 milhões para R$ 31,98 milhões, crescimento de aproximadamente 32%.
Na Segurança Pública, o aumento é de 15,27%, enquanto a Comunicação cresce 9,65%. Mas nenhum número chama tanto a atenção quanto o Transporte. Transporte terá aumento de quase 390%
A função Transporte passa de aproximadamente R$ 1,19 milhão em 2026 para R$ 5,84 milhões em 2027. O crescimento projetado é de impressionantes 390,3%.
É importante observar que a base de comparação é muito menor que a da Saúde, portanto, os percentuais não podem ser analisados isoladamente. Ainda assim, a diferença demonstra que determinadas áreas receberam aumentos proporcionalmente muito superior ao da Saúde.
E A CULTURA?
Outro dado que certamente provocará discussão é o orçamento da Cultura.
Em 2026, a função Cultura recebeu R$ 2,665 milhões. Para 2027, estão previstos R$ 2,87 milhões, aumento de 7,69%. Percentualmente, a Cultura terá crescimento ligeiramente superior ao da Saúde, que terá 7,10%.
Em valores absolutos, obviamente, são áreas de dimensões completamente diferentes: a Saúde receberá mais de R$ 163 milhões, enquanto a Cultura terá R$ 2,87 milhões.
Por isso, a comparação não significa que o município esteja gastando mais dinheiro com Cultura do que com Saúde.
A discussão é outra: diante das necessidades atuais da população, o aumento destinado à Saúde acompanha de fato o crescimento das demandas e dos custos do setor?
A PERGUNTA QUE CHEGA À CÂMARA
O projeto da LOA 2027 agora deverá ser analisado pelos vereadores. E uma das principais perguntas que precisam ser feitas durante a discussão do orçamento é: qual foi o valor solicitado pela Secretaria Municipal de Saúde para 2027?
A pasta pediu os mesmos R$ 163,37 milhões que aparecem no projeto? Pediu mais? Houve algum corte durante a elaboração da proposta?
E, principalmente: o valor previsto será suficiente para reduzir filas de consultas e exames, ampliar o número de médicos e especialistas, garantir medicamentos, melhorar o transporte de pacientes e manter os serviços existentes?
Essas respostas são fundamentais. Porque orçamento não é apenas uma tabela de números. É a tradução financeira das prioridades de um governo.
Se a cidade tem uma Saúde pressionada por filas, reclamações e necessidade de ampliação de serviços, a população tem o direito de saber se os recursos destinados ao setor foram calculados a partir dessas necessidades ou simplesmente dentro dos limites definidos pelo Executivo.
ENTRE FESTAS, EVENTOS E NECESSIDADES BÁSICAS
A discussão também inevitavelmente toca na política de eventos do município. Não se trata de afirmar que Cultura, esporte ou eventos não sejam importantes. São.
Mas a pergunta que o contribuinte pode fazer é simples: De que adianta promover grandes eventos se o cidadão continua esperando meses por uma consulta, um exame ou atendimento especializado?
O desafio de uma administração pública é justamente estabelecer prioridades.
E, diante dos números apresentados para 2027, cabe à Câmara de Vereadores discutir se a Saúde está recebendo o investimento necessário para enfrentar os problemas que a população vem apontando diariamente.
Os números mostram que o orçamento municipal crescerá 10,5%, mas a Saúde terá aumento de apenas 7,1%.
Agora, a discussão deixa de ser apenas política: É matemática. É orçamento. E é dinheiro público.
A pergunta que fica para a Câmara e para a Prefeitura é: Se o orçamento de Leme cresce mais de 10%, por que a Saúde, justamente uma das áreas mais cobradas pela população, cresce apenas 7,1%? E talvez essa seja uma das principais discussões da LOA 2027.
Vamos acompanhar...