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SAÚDE PEDE SOCORRO, PREFEITO DIZ QUE FALTA DINHEIRO… MAS SOBRA PARA CARGOS POLÍTICOS E FESTAS
Jornal Tribuna de Leme | 16/06/2026

SAÚDE PEDE SOCORRO, PREFEITO DIZ QUE FALTA DINHEIRO… MAS SOBRA PARA CARGOS POLÍTICOS E FESTAS

Documentos desmontam discurso de Claudemir Borges sobre contratação de profissionais da Saúde

Enquanto a população enfrenta filas, demora para consultas, falta de médicos especialistas e sobrecarga nas unidades de saúde, novos documentos revelam uma realidade que contradiz o discurso do prefeito Claudemir Borges. O problema, ao que tudo indica, não é a falta de pedidos da Secretaria Municipal de Saúde. O problema é que esses pedidos simplesmente param na mesa do prefeito.

Na última semana, o vereador Dr. David Pedrão tornou públicos memorandos internos da própria Secretaria Municipal de Saúde demonstrando que diversos pedidos de contratação de profissionais permanecem sem atendimento por parte do chefe do Executivo. A denúncia ganhou repercussão e virou manchete no Jornal Tribuna de Leme.

Após a divulgação da reportagem, o prefeito foi a uma emissora de rádio tentar justificar a situação. Porém, uma análise detalhada dos documentos oficiais mostra que boa parte das explicações apresentadas simplesmente não resiste aos números.

PREFEITO DIZ QUE CONVOCOU TUDO O QUE PODIA. OS DOCUMENTOS MOSTRAM OUTRA REALIDADE.

Durante a entrevista, Claudemir Borges afirmou que convocou todos os profissionais possíveis dos concursos públicos vigentes.

O Jornal Tribuna de Leme foi conferir e, os números mostram exatamente o contrário.

A Secretaria Municipal de Saúde solicitou oficialmente a contratação de 73 Agentes Administrativos. Até agora, apenas 8 foram convocados, o equivalente a 10,9% do total solicitado.

MAS ESSE É APENAS UM EXEMPLO!

Somente o Memorando nº 50.583/2025 solicita a contratação de dezenas de profissionais para suprir a carência da rede municipal, entre eles:

•        27 Enfermeiros;

•        7 Médicos da Estratégia Saúde da Família;

•        9 Psicólogos;

•        7 Fonoaudiólogos;

•        5 Assistentes Sociais;

•        13 Agentes de Serviços Públicos;

•        12 Técnicos de Farmácia;

•        5 Técnicos de Raio-X;

•        fisioterapeutas;

•        nutricionistas;

•        agentes de vetores;

•        médico veterinário;

•        educador esportivo;

•        além de diversos especialistas como ortopedistas, cardiologistas, dermatologistas, ginecologistas, neurologistas, neuropediatras, psiquiatra, mastologista e pediatras.

Apesar da extensa lista de necessidades apresentada pela própria Secretaria de Saúde, até o momento foram convocados apenas:

•        1 Médico Clínico para o serviço IST/AIDS;

•        4 Agentes Comunitários de Saúde;

•        4 Enfermeiros;

•        2 Psicólogos.

Ou seja, a maior parte dos pedidos continua sem atendimento.

Há concurso aberto. Há profissionais aprovados. O que falta é vontade política.

Outro argumento apresentado pelo prefeito também perde força diante da realidade.

O Edital nº 03/2023 possui:

•        106 enfermeiros aprovados;

•        123 técnicos de enfermagem classificados.

Já o Edital nº 06/2023 possui:

•        119 enfermeiros da Estratégia Saúde da Família classificados.

O problema? Não existem vagas suficientes criadas no quadro permanente. A solução depende exclusivamente do prefeito.

Basta encaminhar um Projeto de Lei à Câmara Municipal criando os cargos necessários para que esses profissionais sejam convocados. Ou seja, existem concurso vigente, profissionais aguardando nomeação e necessidade comprovada pela própria Secretaria de Saúde.

O QUE NÃO EXISTE É INICIATIVA DO EXECUTIVO PARA RESOLVER O PROBLEMA.

No áudio enviado ao vereador, prefeito admite preocupação com a folha de pagamento

Segundo o vereador Dr. David Pedrão, após a repercussão da denúncia o prefeito não telefonou, como chegou a afirmar o prefeito Claudemir Borges em um programa de rádio, mas encaminhou um áudio via WhatsApp tentando explicar a situação.

No próprio áudio, Claudemir Borges admite que diversos pedidos da Secretaria de Saúde dependem da análise do impacto financeiro da folha de pagamento.

Segundo ele: "A secretária faz o pedido de bastante funcionário... mas precisamos ver a questão da folha”.

A declaração, entretanto, levanta um questionamento inevitável: Para criar cargos políticos há dinheiro. Para contratar médicos, não?

Desde o início da atual gestão, Claudemir Borges promoveu uma ampla reforma administrativa.

Foram criados 36 novos cargos comissionados, entre eles:

•secretários adjuntos; •diretores; •coordenadores gerais; •chefias; •pregoeiros; •funções de apoio em licitação.

Grande parte dessas funções passou a ser ocupada por aliados políticos, apoiadores da administração e pessoas ligadas ao grupo do prefeito.

O impacto estimado dessas nomeações ultrapassa R$ 2,2 milhões por ano.

Como se não bastasse, nesta semana o prefeito encaminhou à Câmara o Projeto de Lei Complementar nº 10/2026, criando novas funções de confiança na Secretaria de Finanças.

A pergunta surge naturalmente: Se existe margem financeira para ampliar cargos de confiança, por que não existe para contratar médicos, enfermeiros e demais profissionais solicitados pela própria Secretaria de Saúde?

OUTRO DADO CONTRADIZ O DISCURSO OFICIAL

Recentemente, a própria Prefeitura encaminhou estudos de impacto financeiro referentes à reestruturação de cargos públicos.

Os documentos apontam que a despesa com pessoal gira em torno de 42% da Receita Corrente Líquida, percentual bem abaixo do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, fixado em 51%.

Ou seja, tecnicamente existe espaço para ampliar o quadro da saúde e, mais uma vez, a discussão deixa de ser financeira e passa a ser política.

Enquanto isso, especialistas continuam esperando autorização para trabalhar

OUTRA SITUAÇÃO CHAMA ATENÇÃO.

O processo de credenciamento médico já foi homologado.

Mesmo assim, a Secretaria Municipal de Saúde aguarda autorização e dotação orçamentária para contratar com urgência:

•        2 neuropediatras;

•        1 endocrinologista;

•        2 ginecologistas.

Até o fechamento desta reportagem, os contratos ainda não haviam sido efetivados.

Enquanto isso, pacientes seguem aguardando consultas e exames especializados.

DINHEIRO PARA FESTAS NUNCA FALTA

Somente em 2026, a Prefeitura já destinou aproximadamente R$ 2 milhões para shows, estruturas de eventos e festividades.

Somando os gastos com cargos políticos e festas, certamente daria para resolver o problema de boa parte dos pedidos feitos pela Secretaria de Saúde, mas tudo indica que a velha política do pão e circo continuará como prioridade nessa gestão que a cada dia enfrenta novos questionamentos e problemas.