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SAÚDE EM MODO IMPROVISO? FECHAMENTO DA UBS SUMARÉ PARA INAUGURAR UBS ANGÉLICA LEVANTA DÚVIDAS SOBRE PLANEJAMENTO DA GESTÃO CLAUDEMIR BORGES
Jornal Tribuna de Leme | 10/08/2026

SAÚDE EM MODO IMPROVISO? FECHAMENTO DA UBS SUMARÉ PARA INAUGURAR UBS ANGÉLICA LEVANTA DÚVIDAS SOBRE PLANEJAMENTO DA GESTÃO CLAUDEMIR BORGES

Sem novos profissionais, moradores perdem unidade de saúde do bairro e passam a percorrer maior distância para atendimento; vereador questiona ausência de planejamento e cobra explicações.

O que foi apresentado pela Prefeitura de Leme como um avanço na rede municipal de saúde tem gerado forte insatisfação entre moradores da Vila Sumaré e bairros vizinhos. A decisão de encerrar os atendimentos da UBS Sumaré e transferir toda a equipe para a recém-inaugurada UBS do Jardim Angélica tem levantado questionamentos sobre o planejamento da gestão municipal e, principalmente, sobre a falta de profissionais na saúde pública.

A principal reclamação da população é simples: a cidade ganhou uma unidade nova, mas não ganhou mais atendimento.

Na prática, segundo os relatos dos moradores, apenas mudou o endereço onde os mesmos profissionais trabalham.

Enquanto o prefeito Claudemir Borges comemorou a inauguração da nova UBS do Jardim Angélica, centenas de pacientes da região do Sumaré passaram a enfrentar deslocamentos maiores para conseguir atendimento médico.

Entre os mais prejudicados estão idosos, gestantes, pessoas com mobilidade reduzida e mães que dependem do acompanhamento constante de filhos com deficiência ou outras necessidades especiais.

Para essas famílias, o acesso à saúde ficou mais distante.

REFORMA ANUNCIADA, MAS SEM PROJETO

Segundo o prefeito Claudemir Borges, em entrevista, a UBS Sumaré será demolida para dar lugar a uma nova unidade de saúde.

Entretanto, até o momento, não há informações públicas sobre projeto executivo de engenharia, previsão orçamentária específica para a obra, processo licitatório em andamento ou cronograma oficial para início da construção.

Sem essas etapas concluídas, moradores passaram a questionar quanto tempo permanecerão sem uma unidade de saúde em seu próprio bairro.

O RECEIO NÃO É PEQUENO

A própria UBS do Jardim Angélica levou aproximadamente 15 meses entre o início da obra e sua inauguração.

Já a UBS Nelma, no Jardim Amália, teve um prazo ainda maior, sendo entregue cerca de dois anos e quatro meses após o início da construção.

Diante desse histórico, cresce a preocupação de que o fechamento anunciado como "temporário" possa se estender por um longo período.

FALTA DE PROFISSIONAIS?

Outro ponto que chama atenção é que, até o momento, não foram anunciadas contratações significativas de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e demais profissionais especificamente para a UBS Jardim Angélica.

Para críticos da medida, isso reforça a percepção de que a nova unidade foi aberta utilizando a equipe que anteriormente atendia a população do Sumaré. Ou seja, em vez de ampliar a capacidade da rede municipal de saúde, teria ocorrido apenas a transferência dos profissionais de uma unidade para outra.

A consequência prática seria a manutenção da mesma estrutura de atendimento, porém em um novo endereço.

VEREADOR COBRA EXPLICAÇÕES

O vereador e médico ortopedista, Dr. David Pedrão afirmou que solicitou oficialmente informações à Prefeitura para esclarecer a situação.

Segundo ele, a população merece respostas sobre o planejamento adotado.

"Uma nova unidade de saúde sempre é motivo de comemoração. O problema é quando ela não representa ampliação da assistência. Se os mesmos profissionais apenas foram transferidos de um prédio para outro, o cidadão continua tendo a mesma oferta de atendimento, mas agora precisando percorrer uma distância maior", argumenta.

O parlamentar também questiona a ausência de informações sobre a futura obra da UBS Sumaré.

"Até onde foi possível verificar, ainda não há projeto executivo divulgado, licitação ou cronograma oficial da obra. É importante que a população saiba qual será o prazo para voltar a contar com atendimento em seu bairro", afirmou.

HAVIA OUTRAS ALTERNATIVAS?

Na avaliação do vereador, existiam alternativas que poderiam reduzir os impactos para a população.

Entre elas, estaria a locação temporária de um imóvel na própria região do Sumaré para manter o atendimento funcionando enquanto a futura obra fosse executada, preservando o acesso da comunidade aos serviços básicos de saúde.

Outra medida seria a ampliação do quadro de profissionais da Secretaria Municipal de Saúde, permitindo que a UBS Jardim Angélica fosse aberta sem necessidade de desativar outra unidade.

POPULAÇÃO AGUARDA RESPOSTAS

Enquanto a nova unidade inicia seus atendimentos, moradores da Vila Sumaré seguem convivendo com dúvidas que ainda aguardam resposta:

• Quando será publicado o projeto da nova UBS Sumaré?

• Existe recurso orçamentário garantido para a obra?

• Quando será aberta a licitação?

• Qual é o prazo estimado para início e conclusão da construção?

• Quantos novos profissionais foram contratados especificamente para a UBS Jardim Angélica?

• A abertura da nova unidade ampliou efetivamente o número de consultas disponíveis ou apenas redistribuiu as equipes existentes?

Independentemente das respostas, uma preocupação permanece entre os moradores: que o atendimento em saúde seja fortalecido de forma planejada, garantindo acesso, continuidade e qualidade dos serviços prestados à população.

Afinal, inaugurar novos prédios é importante, mas assegurar equipes suficientes e atendimento eficiente é o que faz diferença na vida de quem depende diariamente do sistema público de saúde.