SAÚDE EM LEME ESTÁ DOENTE - ENQUANTO PACIENTES ENFRENTAM FILAS E ESPERAM POR ATENDIMENTO, GESTÃO DO PREFEITO CLAUDEMIR BORGES JÁ GASTOU MAIS DE R$ 2,8 MILHÕES COM EVENTOS EM 2026
A saúde pública de Leme voltou a ocupar espaço de destaque nas redes sociais nos últimos dias, desta vez com uma sequência de reclamações de pacientes que relatam dificuldades para conseguir consultas, exames e retornos médicos, além de problemas estruturais e falta de profissionais em diferentes unidades da rede municipal.
Entre os relatos estão consultas canceladas em cima da hora, médicos que não comparecem aos atendimentos, longas filas e pacientes obrigados a esperar por horas sem saber se serão atendidos.
A situação ganha ainda mais repercussão porque ocorre enquanto a Prefeitura mantém uma programação de eventos e festividades que, segundo levantamento realizado no Portal da Transparência, já teria consumido mais de R$ 2,8 milhões em despesas relacionadas a eventos, cachês artísticos e estruturas ao longo de 2026.
O levantamento aponta aproximadamente R$ 1,1 milhão em cachês artísticos e mais de R$ 1,6 milhão em estruturas, incluindo locação de tendas, equipamentos de som, palcos, iluminação, treliças, gradis, banheiros químicos, painéis de LED e outros serviços.
A comparação entre as duas situações passou a alimentar questionamentos nas redes sociais: enquanto pacientes reclamam da falta de profissionais, espaço e atendimento adequado, milhões de reais são destinados à realização de festas e eventos.
HORAS DE ESPERA E MÉDICA QUE NÃO COMPARECE
Um dos locais que mais têm recebido críticas é o Centro de Especialidades Oncológicas, que vem sendo utilizado para parte dos atendimentos que anteriormente eram realizados no CMI, unidade que passa por obras estruturais.
A própria Prefeitura informou que o CMI iniciou, em maio, uma obra para substituição completa do telhado, contratada por R$ 576.897, com previsão inicial de 90 dias de execução.
Enquanto as intervenções seguem, pacientes relatam dificuldades no atendimento no espaço utilizado provisoriamente.
Entre as principais reclamações estão a falta de espaço para acomodar os pacientes e a quantidade insuficiente de cadeiras e bancos. Segundo relatos publicados nas redes sociais, pessoas chegam a permanecer em pé e até mesmo do lado de fora do estabelecimento, expostas ao sol ou à chuva.
Em um dos casos relatados, pacientes afirmam que aguardavam atendimento médico desde aproximadamente 12h e somente por volta das 16h foram informados de que a médica não compareceria para realizar os atendimentos.
ATENÇÃO: SEGUNDO A MÉDICA AVISOU PREVIAMENTE A SECRETARIA DE SAÚDE QUE NÃO IRIA E QUE ERA PARA REMANEJAR AS CONSULTAS.
PARA QUEM PASSOU HORAS ESPERANDO, A INFORMAÇÃO PROVOCOU REVOLTA
O problema relatado pelos pacientes não seria apenas a demora. A falta de previsibilidade também é apontada como um dos principais motivos de indignação: pessoas se deslocam, aguardam por horas e somente depois descobrem que o atendimento não acontecerá.
EXAMES FEITOS, MAS RETORNO NÃO É AGENDADO
Outra reclamação recorrente envolve a dificuldade para conseguir consultas, exames e, principalmente, retornos médicos.
Há relatos de pacientes que já realizaram os exames solicitados pelos médicos, mas não conseguem agendar o retorno para apresentar os resultados.
A preocupação, segundo os próprios pacientes, é que a demora faça com que exames já realizados percam sua utilidade ou precisem ser repetidos antes que consigam novamente passar pelo especialista.
Também existem relatos de pacientes que chegaram ao local para realizar exames previamente agendados e foram informados de que o profissional responsável estaria de folga.
Resultado: o paciente precisou voltar para casa sem realizar o procedimento que havia sido previamente marcado.
FILAS NA FARMÁCIA DO CS II
Outro problema que volta a aparecer nas reclamações é a situação da Farmácia de Atenção Básica, no complexo do CS II.
As filas para retirada de medicamentos são apontadas por usuários como um problema recorrente.
A unidade, segundo os relatos, não teria espaço suficiente para acomodar adequadamente todos os pacientes, enquanto a quantidade de profissionais disponíveis para o atendimento também seria insuficiente.
O que deveria ser uma tarefa simples — retirar um medicamento prescrito — acaba se transformando, para muitos cidadãos, em horas de espera.
PROBLEMAS TAMBÉM NO ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO
As reclamações recentes também chegaram ao CEO - Centro de Especialidades Odontológicas.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, uma cidadã relatou problemas provocados por um vazamento de água no complexo onde funciona o atendimento. Segundo o relato, a ocorrência teria afetado os serviços do CEO por cerca de dois dias em razão da falta de água.
Outro caso chamou atenção pela demora para realização de um procedimento.
Segundo relato apresentado, uma paciente passou por atendimento odontológico no Posto João Leme e foi encaminhada ao CEO para a extração de dois dentes. Mesmo com o local aparentemente sem pacientes no momento do atendimento, o procedimento teria sido agendado somente para 04 de novembro.
O episódio alimenta uma pergunta que vem sendo repetida por usuários da rede: se existe demanda e há estrutura disponível, por que o cidadão precisa esperar semanas para conseguir um procedimento?
MAIS DE R$ 2,8 MILHÕES EM EVENTOS
É justamente nesse cenário que o levantamento sobre as despesas com eventos chama atenção.
De acordo com consulta realizada no Portal da Transparência do Município, os gastos relacionados a eventos, festas, cachês artísticos e estruturas já ultrapassariam R$ 2,8 milhões em apenas nove meses de 2026.
Desse montante, aproximadamente R$ 1,1 milhão corresponde a cachês artísticos, enquanto mais de R$ 1,6 milhão estaria relacionado a estruturas e serviços necessários para a realização dos eventos, como palcos, som, iluminação, tendas, gradis, banheiros químicos, painéis de LED e treliças.
A Prefeitura, de fato, mantém em seu calendário uma programação extensa de eventos culturais, esportivos e comemorativos ao longo do ano. Entre eles está a FAPIL 2026, além de outras festividades e atividades municipais.
O questionamento que surge, portanto, não é necessariamente sobre a realização de eventos, mas sobre prioridades e equilíbrio na aplicação dos recursos públicos.
De um lado, pacientes relatam falta de cadeiras, demora, cancelamentos, dificuldades para conseguir consultas, exames e retornos e falta de profissionais.
Do outro, os registros de despesas mostram milhões de reais comprometidos com festas, apresentações artísticas e estruturas para eventos.
A SAÚDE ESPERA
O cenário que emerge das reclamações é o de uma população que não está apenas pedindo mais consultas. Está pedindo previsibilidade, respeito e condições adequadas para ser atendida.
O cidadão que passa horas esperando um médico e descobre que a consulta foi cancelada quer saber por que não foi avisado antes. Quem realiza um exame e não consegue marcar o retorno quer saber quando conseguirá apresentar o resultado ao especialista.
Quem chega para fazer um exame e descobre que o profissional está de folga quer saber por que o agendamento não foi organizado. Quem precisa retirar um medicamento quer conseguir fazê-lo sem enfrentar uma fila interminável. E quem precisa de atendimento odontológico quer saber por que um procedimento pode levar semanas para ser realizado.
Enquanto essas perguntas continuam sem respostas satisfatórias para muitos usuários, os números levantados no Portal da Transparência mostram outra realidade: em apenas nove meses, milhões de reais já foram destinados a festas, eventos, cachês e estruturas.
A discussão, portanto, vai além de escolher entre saúde ou cultura.
É uma discussão sobre planejamento, prioridades, estrutura e capacidade de atendimento da Prefeitura.
Porque, para quem está doente, esperando uma consulta ou simplesmente tentando retirar um medicamento, o problema não é quanto custa um show.
O problema é quanto tempo ainda terá que esperar para ser atendido.