RETRATO DA GESTÃO CLAUDEMIR BORGES: PACIENTES RELATAM DEMORA NO ATENDIMENTO NO CMI E FILAS REACENDEM DEBATE SOBRE ESTRUTURA DA SAÚDE EM LEME
Usuários do Centro Médico Integrado registraram filas e tempo de espera na manhã de segunda-feira; atendimento, quadro de servidores e gestão da pasta voltam a ser tema de discussão.
A segunda-feira, 13 de julho, começou com novas reclamações de pacientes sobre o atendimento no CMI - Centro Médico Integrado "Antônio Macarenko", em Leme. Imagens e vídeos divulgados por usuários nas redes sociais mostram filas na recepção e pessoas aguardando atendimento nas dependências da unidade.
Segundo relatos publicados pelos próprios pacientes, o tempo de espera na recepção teria chegado a aproximadamente duas horas em alguns momentos da manhã. Também foram registradas reclamações sobre o número de atendentes disponíveis, pessoas aguardando em pé devido à limitação de assentos e usuários que afirmaram terem desistido do atendimento em razão da demora.
As manifestações ocorrem em um momento de transição na Secretaria Municipal de Saúde. Após a saída da então secretária Lisete Ganéo, o cargo segue aguardando nomeação de um novo titular, enquanto a administração da pasta permanece sob responsabilidade do prefeito Claudemir Borges.
ATENDIMENTO E ESTRUTURA VOLTAM AO CENTRO DAS DISCUSSÕES
As reclamações reforçam um tema que já vinha sendo debatido nas últimas semanas por vereadores e pela própria equipe técnica da Secretaria de Saúde durante audiência realizada na Câmara Municipal.
Na ocasião, representantes da pasta informaram que havia solicitações de contratação de novos profissionais encaminhadas à Administração Municipal e destacaram desafios relacionados ao orçamento e à estrutura de atendimento da rede pública.
Também foram apresentados exemplos de diferenças entre a estimativa orçamentária elaborada pela Secretaria para 2026 e os valores posteriormente aprovados na LOA - Lei Orçamentária Anual, apontando que determinadas ações da saúde receberam dotações inferiores às inicialmente projetadas pela equipe técnica.
Além de uma fala preocupante sobre a ingerência de vereadores para que seus eleitores tivessem prioridades no agendamento de consultas na saúde pública, ou seja, a ingerência de vereadores pode configurar em grande crime, afinal, o aparelhamento e uso da máquina pública em benefício eleitoral pode e deve ser investigado pelo Ministério Público e a saúde pública não pode servir de barganha eleitoral pelos políticos locais.
FISCALIZAÇÃO DO LEGISLATIVO
Entre os parlamentares que vêm acompanhando o tema, o vereador Dr. David Pedrão protocolou requerimentos solicitando informações sobre a contratação de profissionais e a situação do quadro de servidores e a resposta foi de que a Secretaria de Saúde já havia solicitado diversos profissionais de saúde para ampliar o atendimento à população, mas que os pedidos estavam na mesa do prefeito Claudemir Borges aguardando autorização.
Há concursos públicos vigentes na saúde pública, porém, faltam vagas no quadro de servidores, ou seja, o prefeito Claudemir Borges precisa enviar um projeto de lei à Câmara para ampliar o número de profissionais da saúde e com isso convocar os candidatos aprovados no concurso público, porém, até o momento, nenhum projeto foi enviado ao legislativo e a população segue sentindo na pele a falta de gestão e compromisso com a saúde pública.
ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL
Em entrevistas recentes, representantes da Prefeitura atribuíram parte das dificuldades enfrentadas pela rede de saúde à implantação de um novo sistema de gestão e a limitações relacionadas ao planejamento administrativo e orçamentário.
A Administração também já declarou publicamente que busca conciliar a ampliação dos serviços com os limites fiscais e as regras de responsabilidade na gestão das despesas públicas.
Porém, a realidade é que passa dia após dia e os problemas enfrentados pela população só aumentam. É preciso menos desculpas e mais ação, pois a população está cansada de ver recursos sendo destinados às festas enquanto faltam profissionais na saúde pública.
DESAFIO PERMANENTE
As filas registradas nesta semana evidenciam a importância do acompanhamento contínuo da situação da saúde municipal. Independentemente das causas apontadas, a redução do tempo de espera, a organização do atendimento e o acesso oportuno às consultas permanecem entre as principais demandas apresentadas pelos usuários do Sistema Único de Saúde em Leme.
Esperamos que a situação lamentável seja de fato resolvida e sem as desculpas que não convencem mais.