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QUASE 90 DIAS DEPOIS, ESCOLA CONTINUA ABERTA E COM PROBLEMAS: “DIRCE GISMENES” ESCANCARA O ABANDONO DA EDUCAÇÃO
Jornal Tribuna de Leme | 21/09/2026

QUASE 90 DIAS DEPOIS, ESCOLA CONTINUA ABERTA E COM PROBLEMAS: “DIRCE GISMENES” ESCANCARA O ABANDONO DA EDUCAÇÃO

Quase 90 dias. Esse é o tempo que a EMEB “Profª Dirce de Souza Gismenes”, no Jardim Santa Paula, permanece com parte de seu muro aberto na divisa com a Arena Zé Almir.

O que deveria ser uma intervenção temporária transformou-se em um problema de segurança para uma escola que atende crianças diariamente.

Na última segunda-feira, 14 de setembro, o vereador Dr. David Pedrão voltou à unidade após receber novos pedidos de pais e profissionais. O cenário encontrado, segundo o parlamentar, continua preocupante: o muro não foi recomposto e a área permanece sem uma proteção adequada, com ferragens expostas, pedras, buracos e outros obstáculos próximos ao espaço utilizado pela comunidade escolar.

O problema não começou agora. Ainda no início do ano, Dr. David já havia visitado a escola e apresentado indicação cobrando melhorias. Em agosto, voltou ao local diante das reclamações e cobrou novamente uma solução.

PROMESSA EM VÍDEO, PROBLEMA NA VIDA REAL

Após a cobrança do vereador, o secretário municipal de Educação, Elias Ferrara, esteve na escola em 18 de agosto e publicou um vídeo anunciando melhorias e apresentando uma proposta de integração da unidade com a Arena Zé Almir.

A divulgação, entretanto, não encerrou as reclamações.

Pais e funcionários continuaram questionando nas redes sociais quando as intervenções efetivamente aconteceriam. E quase um mês depois da gravação do vídeo, a situação encontrada pelo vereador foi praticamente a mesma.

Enquanto a apresentação mostrava como o espaço poderia ficar, a realidade encontrada na escola ainda é de problemas estruturais que aguardam solução.

E NÃO É SÓ O MURO

As fotografias e relatos obtidos durante a visita apontam para uma situação que vai muito além da abertura do muro.

Há forro de PVC danificado e com partes caindo, paredes com rachaduras, reboco se desprendendo, portas deterioradas, banheiros infantis sem condições adequadas, lousas precárias e problemas de infiltração.

Com as chuvas das últimas semanas, a situação ficou ainda mais evidente. Segundo os relatos apresentados ao vereador, existem salas atingidas por infiltrações, obrigando a reorganização das atividades em outros espaços.

Em uma das paredes, a dimensão da rachadura também provoca preocupação entre os profissionais que trabalham na unidade.

R$ 600 MIL PARA INTEGRAR, MAS E A REFORMA DA ESCOLA?

Outro ponto que chama atenção é o projeto de integração da escola com a Arena Zé Almir.

Em resposta anterior a um requerimento do vereador, a Secretaria de Obras e Planejamento Urbano informou a existência do projeto, com orçamento superior a R$ 600 mil.

O problema é que permanecem dúvidas fundamentais: esse dinheiro contempla apenas a integração dos espaços ou também resolverá os problemas estruturais da escola?

Quem entra na unidade encontra necessidades básicas que não parecem compatíveis com uma escola que precisa apenas de uma nova ligação com o campo.

Banheiros precisam de reforma. Telhados precisam de manutenção. Infiltrações precisam ser eliminadas. Paredes precisam ser recuperadas. Portas precisam ser substituídas. O forro precisa ser consertado. As salas precisam de manutenção.

E enquanto tudo isso espera, as crianças continuam estudando dentro dessa realidade.

DR. DAVID PEDE NOVAS RESPOSTAS

Diante do cenário encontrado, o vereador Dr. David Pedrão prepara novo requerimento à Secretaria de Obras e Planejamento Urbano para saber se existe um projeto específico de reforma da escola além da intervenção de integração com a Arena Zé Almir.

O parlamentar quer saber, entre outras questões, se existem recursos previstos, projeto técnico, cronograma, licitação e previsão para execução das melhorias. Também deverá cobrar informações sobre a situação de cada um dos problemas identificados na unidade.

A PERGUNTA É SIMPLES: QUANDO AS CRIANÇAS TERÃO UMA ESCOLA DIGNA?

A comunidade escolar não está pedindo luxo. Está pedindo segurança, manutenção e condições mínimas para que crianças possam estudar e profissionais possam trabalhar.

O muro está aberto há quase 90 dias. As infiltrações continuam. As rachaduras continuam. O forro continua danificado. Os banheiros continuam precisando de intervenção. E a escola continua esperando.

Enquanto projetos são anunciados e imagens de como o espaço poderá ficar são divulgadas, pais e profissionais querem saber quando a realidade finalmente vai mudar.

Porque para quem está dentro da escola todos os dias, não basta mostrar como ela poderá ficar. É preciso fazer acontecer.