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PARTE 4:  WAGÃO CONCEDE ENTREVISTA AO JORNAL TRIBUNA DE LEME E FALA SOBRE LEME E A POLÍTICA LOCAL
Jornal Tribuna de Leme | 28/06/2026

PARTE 4: WAGÃO CONCEDE ENTREVISTA AO JORNAL TRIBUNA DE LEME E FALA SOBRE LEME E A POLÍTICA LOCAL

O Jornal Tribuna de Leme procurou Wagão, para conceder entrevista após sua participação em podcast e resposta em vídeo do prefeito Claudemir Borges. Wagão comentou sobre vários temas relacionados a cidade, a gestão e aos problemas enfrentados pela população diariamente. Confiram:

 JORNAL: O prefeito Claudemir Borges afirmou que a atual gestão possui mais profissionais na saúde do que durante o seu governo e que houve um aumento de cerca de 150 servidores na área. Como o senhor avalia essa afirmação?

WAGÃO: Se realmente houve esse aumento no número de profissionais, a pergunta que a população faz é muito simples: por que as reclamações sobre a saúde continuam crescendo?

Todos os dias vemos pessoas reclamando da demora em conseguir consultas, exames, cirurgias e até atendimento nas unidades de saúde. Se a estrutura aumentou tanto, o resultado deveria aparecer na ponta, para quem utiliza o serviço.

Outro ponto importante é entender onde esses profissionais estão atuando. Existem relatos de servidores concursados para determinadas funções que atualmente exercem atividades diferentes daquelas para as quais ingressaram no serviço público. Se isso acontece, é importante que a Prefeitura esclareça quantos casos existem e qual o impacto disso na prestação dos serviços de saúde.

O prefeito também afirmou que contratou dezenas de médicos por meio do CISMETRO. Se esses profissionais estão efetivamente reforçando a rede, a população espera que isso se reflita na redução das filas e na ampliação do atendimento.

Ao mesmo tempo, dados divulgados pela própria administração mostram que a cobertura da Atenção Básica ainda não alcança toda a população do município. Isso indica que ainda há espaço para ampliar equipes e fortalecer a Estratégia Saúde da Família.

Também é público que existem procedimentos de apuração conduzidos pelos órgãos competentes relacionados ao cumprimento da jornada de trabalho de alguns profissionais da saúde. É importante destacar que essas investigações ainda estão em andamento e cabe às autoridades esclarecer os fatos, garantindo o devido processo legal e a ampla defesa de todos os envolvidos.

O que eu defendo é algo muito simples: menos discussão sobre números e mais resultados para a população. O cidadão quer conseguir marcar uma consulta com rapidez, fazer seus exames no tempo adequado, ter médicos suficientes nas unidades e receber um atendimento de qualidade.

Se os números apresentados pela Prefeitura são corretos, eles precisam se traduzir em melhoria efetiva no serviço prestado. E essa é a percepção que, hoje, muitos moradores dizem ainda não sentir no dia a dia.

 

JORNAL: Wagão, essa investigação envolvendo médicos da rede pública de saúde pode resultar em alguma punição? O senhor acredita que todos os médicos estão envolvidos?

WAGÃO: Primeiro, é importante deixar claro que não estamos falando da classe médica como um todo. A grande maioria dos médicos trabalha com dedicação e merece todo o nosso respeito.

Pelo que foi divulgado até o momento, existem investigações e procedimentos administrativos envolvendo um número específico de profissionais. Como qualquer cidadão, eles têm direito à ampla defesa e ao contraditório, e caberá ao Ministério Público e à sindicância da Prefeitura apurar os fatos e decidir se houve ou não alguma irregularidade.

Agora, se as irregularidades forem comprovadas, a resposta precisa ser firme. Quem recebe recursos públicos tem a obrigação de cumprir integralmente sua jornada de trabalho e prestar o serviço para o qual foi contratado. Se houver comprovação de descumprimento dessas obrigações ou de pagamentos indevidos, a legislação prevê a adoção das medidas administrativas, civis e, quando cabível, criminais.

O que não pode acontecer é a investigação ficar sem conclusão. A população merece uma resposta, seja para confirmar que tudo estava correto ou, caso sejam encontradas irregularidades, para responsabilizar quem eventualmente tenha agido em desacordo com a lei.

Outro ponto que considero importante é a discussão sobre o Prêmio de Produtividade Médica (PPM). A finalidade desse incentivo é premiar o cumprimento de metas de atendimento. Se existem dúvidas sobre a forma como esse pagamento vem sendo realizado ou sobre o cumprimento dos critérios estabelecidos, isso também precisa ser esclarecido com total transparência.

Inclusive, é de conhecimento público que o próprio Executivo chegou a encaminhar à Câmara um projeto propondo alterações relacionadas ao PPM, que posteriormente foi retirado de tramitação. Isso demonstra que o tema já vinha sendo discutido dentro da própria administração e reforça a importância de esclarecer como funciona o controle dessas metas e quem autoriza os pagamentos.

No meu entendimento, o mais importante agora é que todas essas questões sejam analisadas de forma técnica e imparcial pelos órgãos competentes. A população quer ter a certeza de que os recursos da saúde estão sendo aplicados corretamente e que cada profissional está cumprindo sua missão de atender bem quem depende do serviço público.

 

JORNAL: O prefeito Claudemir Borges afirmou que a Prefeitura repassa cerca de R$ 70 milhões por ano para a Santa Casa e que isso acaba reduzindo os recursos disponíveis para investir em outras áreas da saúde. Como o senhor avalia essa afirmação?

WAGÃO: Primeiro, é importante esclarecer como funciona essa relação entre a Prefeitura e a Santa Casa, porque muitas pessoas acreditam que a Prefeitura simplesmente "manda dinheiro" para o hospital, e não é exatamente assim.

Na prática, a Prefeitura compra serviços de saúde da Santa Casa para atender a população. Vou dar alguns exemplos.

O município não possui leitos próprios de UTI, então compra esses leitos da Santa Casa. A Prefeitura também não possui um centro cirúrgico próprio para realizar cirurgias, por isso contrata esses procedimentos do hospital. O mesmo acontece com diversos exames especializados que dependem de equipamentos e estrutura que a rede municipal não possui.

Ou seja, não se trata de um repasse sem finalidade. É a contratação de serviços que o Município precisa oferecer à população.

Um exemplo ajuda a entender. Muitas pessoas perguntam por que a Santa Casa não funciona como um pronto-socorro de portas abertas para qualquer atendimento. A resposta é simples: porque esse serviço depende de contratação. Hoje, a Prefeitura compra da Santa Casa principalmente os atendimentos de urgência e emergência mais graves, que exigem estrutura especializada, como acidentes, AVC, infartos e outros casos de alta complexidade.

Se a Prefeitura desejar ampliar esse atendimento para funcionar como um pronto atendimento aberto à população, é possível fazer isso. Mas, para isso, o hospital precisa elaborar um plano de trabalho, demonstrar quantos médicos, enfermeiros e demais profissionais serão necessários e qual será o custo mensal dessa ampliação. A partir daí, cabe ao Município decidir se contratará ou não esse novo serviço.

É como qualquer contratação: se você deseja um serviço adicional, precisa contratá-lo e remunerá-lo.

Outro ponto importante é entender que o financiamento da saúde é dividido entre Município, Estado e União. Cada ente participa do custeio do sistema e pode contratar serviços hospitalares conforme suas responsabilidades.

Pelos números que acompanhei, houve uma mudança na participação do Município ao longo dos últimos anos. Enquanto os recursos estaduais e federais destinados à contratação de serviços hospitalares aumentaram, os recursos próprios do Município destinados a essas contratações diminuíram. Em 2023, a prefeitura comprou R$ 39,3 milhões de serviços da Santa Casa e estado e união juntas compraram R$ 16,4 milhões. Já em 2024, os números mostram que a prefeitura diminuiu a compra desses serviços no hospital, pois o valor do tesouro destinado ao hospital foi de R$ 36,8 milhões, ou seja, R$ 2,5 milhões a menos na compra de serviços do hospital, enquanto estado e união ampliaram a compra com R$ 26,1 milhões, cerca de R$ 10 milhões a mais. Já em 2025, a compra caiu ainda mais, ou seja, a prefeitura com recursos próprios comprou menos que os anos anteriores, apenas R$ 35,6 milhões, são R$ 2,5 milhões a menos que em 2024 e R$ 3,7 milhões a menos que em 2023, enquanto em 2025, estado e união compraram R$ 33,9 milhões. Na minha avaliação, essa redução pode impactar diretamente a oferta de exames, consultas, cirurgias e outros procedimentos disponíveis para a população.

É justamente aí que entra a discussão sobre prioridades.

Na minha opinião, investir mais na compra de serviços de saúde significa ampliar o atendimento para quem está esperando uma consulta, um exame ou uma cirurgia. Da mesma forma, se o Município entender que a cidade precisa de um pronto-socorro funcionando em regime de porta aberta na Santa Casa, esse serviço pode ser contratado, desde que haja planejamento e recursos para isso.

Por isso, o debate não é contra eventos ou atividades culturais. O debate é sobre prioridades do orçamento. Sempre defendi que, diante das dificuldades enfrentadas pela população na saúde, devemos discutir se parte dos recursos destinados a outras despesas poderia reforçar ainda mais o atendimento médico e hospitalar. Essa é uma escolha de gestão e é justamente sobre essas escolhas que a população tem o direito de debater.