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O PODER PASSA, AS CONSEQUÊNCIAS FICAM
Jornal Tribuna de Leme | 18/09/2026

O PODER PASSA, AS CONSEQUÊNCIAS FICAM

“Uma vez que o fanatismo tenha gangrenado o cérebro, a doença torna-se quase incurável.” A frase atribuída a Voltaire provoca uma reflexão que também pode ser aplicada ao fanatismo pelo poder. Quando alguém passa a acreditar que o cargo, a autoridade ou a influência que possui o coloca acima dos demais, perde facilmente a noção dos limites, do respeito e da responsabilidade. Nenhum poder é eterno: funções terminam, mandatos acabam, posições mudam e aqueles que hoje ocupam espaços de destaque amanhã poderão não ocupar mais.

Poder não é propriedade — é uma condição temporária que exige equilíbrio e responsabilidade.

E talvez seja justamente aí que esteja o maior perigo: quando o apego ao poder impede a autocrítica e transforma qualquer questionamento em afronta, o fanatismo abre espaço para arrogância, intolerância e excessos.

A frase atribuída a Voltaire serve como alerta para quem se deixa dominar pela sensação de poder e passa a agir como se ela fosse permanente. O tempo muda posições e circunstâncias; depois que o poder passa, permanecem as atitudes, as escolhas e, principalmente, a maneira como cada pessoa tratou aqueles que encontrou pelo caminho.

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