O CHORO É LIVRE, MAS NA POLÍTICA O QUE CONVENCE SÃO AS ATITUDES, NÃO AS LÁGRIMAS!
O choro é livre, seja de arrependimento, tristeza ou emoção. Entretanto, quando se trata de ocupantes de cargos políticos públicos, é preciso compreender que lágrimas não substituem responsabilidade, coerência, respeito e compromisso com a população. Ninguém é obrigado a se comover diante de discursos emocionados, principalmente quando as atitudes não acompanham as palavras.
A tentativa de transformar o choro em instrumento de convencimento político pode produzir justamente o efeito contrário: em vez de sensibilizar, desperta desconfiança, ironias e até risadas nas rodas de conversas políticas. Afinal, a população está cada vez mais atenta e sabe distinguir uma emoção verdadeira de uma possível encenação destinada a conquistar simpatia ou desviar a atenção de cobranças legítimas.
Quem ocupa um cargo público precisa entender que não está em um palco de teatro, mas exercendo uma função que exige seriedade, transparência e prestação de contas. Usar a emoção como possível estratégia para conquistar a opinião pública, especialmente quando existem contradições entre discursos e atitudes, pode chegar ao cúmulo do ridículo.
Na política, não são as lágrimas diante de um microfone que demonstram caráter, competência ou compromisso, mas aquilo que se faz quando o microfone é desligado. O povo não precisa de espetáculos emocionais, precisa de respostas, trabalho e respeito.
E fica uma reflexão: quando o choro passa a provocar mais risos do que comoção, talvez seja hora de rever o roteiro, porque a plateia já não acredita tão facilmente em qualquer apresentação!
Sem mais...
Sandra Kauffmann