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ISSO OS SUPLENTES E VEREADORES NÃO MOSTRAM... SAMU EM LEME: AMBULÂNCIAS CHEGARAM COM FESTA E BUZINAÇO, MAS ATENDIMENTO AINDA NÃO COMEÇOU APÓS QUASE QUATRO MESES
Jornal Tribuna de Leme | 23/10/2026

ISSO OS SUPLENTES E VEREADORES NÃO MOSTRAM... SAMU EM LEME: AMBULÂNCIAS CHEGARAM COM FESTA E BUZINAÇO, MAS ATENDIMENTO AINDA NÃO COMEÇOU APÓS QUASE QUATRO MESES

Em julho, Leme comemorou a chegada do SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência com desfile, festa e buzinaço. O prefeito Claudemir Borges e vereadores celebraram publicamente a conquista e anunciaram que o serviço começaria a funcionar em aproximadamente 60 dias. Quase quatro meses depois, porém, a população ainda aguarda o início dos atendimentos.

O anúncio, feito em 03 de julho, criou a expectativa de que os moradores passariam a contar, em pouco tempo, com um importante reforço nos atendimentos de urgência e emergência. Entretanto, o prazo anunciado já foi ultrapassado, e uma pergunta continua sem resposta clara: por que as ambulâncias chegaram a Leme, mas o serviço ainda não está funcionando?

A chegada dos veículos, por si só, não garante que o atendimento esteja disponível. Para colocar o SAMU em operação, é necessário organizar equipes, providenciar profissionais habilitados, estruturar escalas de trabalho e assegurar todas as condições necessárias para o funcionamento ininterrupto do serviço.

AMBULÂNCIAS NÃO FUNCIONAM SEM EQUIPES PREPARADAS

A implantação do SAMU exige muito mais do que disponibilizar ambulâncias. Na USB - Unidade de Suporte Básico, a equipe precisa contar com condutor socorrista e técnico de enfermagem, observadas as exigências de habilitação, capacitação e composição previstas nas normas aplicáveis ao serviço.

Já a USA - Unidade de Suporte Avançado, conhecida como UTI móvel, atende ocorrências de maior gravidade e exige uma equipe especializada, com condutor socorrista, enfermeiro e médico, conforme a regulamentação aplicável. É esse tipo de unidade que permite prestar assistência avançada em situações como paradas cardiorrespiratórias, acidentes graves e outras emergências com risco de morte.

Além disso, não basta contratar apenas um profissional para cada função. Como o SAMU precisa funcionar 24 horas por dia, é necessário organizar equipes e turnos, prever folgas, férias e afastamentos e garantir que o serviço não fique desguarnecido.

Ou seja, a operação depende de planejamento, recursos humanos e estrutura permanente. Sem esses requisitos, a presença das ambulâncias no município não se traduz em atendimento efetivo à população.

FALTA DE PROFISSIONAIS NA SAÚDE AUMENTA AS DÚVIDAS

Outro ponto que desperta preocupação é a situação do quadro de profissionais da rede municipal de saúde.

Conforme informações já divulgadas sobre a estrutura de pessoal da Secretaria de Saúde, existe um déficit de profissionais que precisa ser enfrentado. A própria pasta vem solicitando a ampliação do quadro, incluindo enfermeiros e técnicos de enfermagem, mas, segundo as informações apresentadas, essas demandas ainda não foram atendidas.

Nesse cenário, a implantação do SAMU levanta questionamentos sobre como a Prefeitura pretende disponibilizar as equipes necessárias sem comprometer os serviços que já funcionam na rede municipal.

A questão também envolve o planejamento orçamentário. Para ampliar o quadro de servidores, pode ser necessário criar ou adequar cargos, respeitar os limites legais de despesa com pessoal e organizar os recursos disponíveis. Essas providências precisam ser planejadas e executadas para que a implantação do serviço não fique restrita ao anúncio.

O município também conta com concurso público vigente e profissionais aptos à convocação. A existência de candidatos habilitados, entretanto, não significa contratação automática: é preciso verificar a compatibilidade dos cargos, as necessidades do serviço e as condições legais e orçamentárias para as convocações.

Ainda assim, a situação exige esclarecimentos da administração municipal: quais providências foram adotadas desde julho para garantir a formação das equipes? Houve abertura ou adequação de cargos? Existem profissionais selecionados para atuar nas ambulâncias? Há um cronograma oficial para o início das operações?

CENTRAL DE ATENDIMENTO TAMBÉM PRECISA ESTAR PREPARADA

A organização do atendimento é outro aspecto fundamental. Conforme o modelo informado para a implantação regional, as ligações destinadas ao SAMU serão recebidas pela central de regulação em Araras, que fará a avaliação da ocorrência e o acionamento da equipe responsável pelo atendimento em Leme.

Esse fluxo exige integração entre a central reguladora e as equipes locais, além de protocolos operacionais e condições para o envio das ambulâncias. A população precisa saber como o serviço funcionará na prática e a partir de qual data poderá contar com ele.

A definição de responsabilidades entre os municípios e a estrutura regional também precisa estar devidamente organizada para que o atendimento ocorra de maneira segura e eficiente.

DA COMEMORAÇÃO À ESPERA POR RESPOSTAS

O contraste entre a celebração de julho e a ausência de atendimento após quase quatro meses coloca em evidência a necessidade de transparência sobre a implantação do SAMU em Leme.

A população não precisa apenas de anúncios, cerimônias e veículos apresentados como conquistas. Precisa saber quando poderá efetivamente contar com o serviço em uma emergência, quais equipes estarão disponíveis e quais medidas estão sendo tomadas para viabilizar a operação.

Afinal, se em julho a previsão anunciada era de funcionamento em 60 dias, por que, quase quatro meses depois, o SAMU ainda não começou a atender em Leme?

O que “será” que houve, hein?