EM APENAS DOIS FINAIS DE SEMANA, PREFEITURA DESTINA MAIS DE R$ 428 MIL PARA FESTAS ENQUANTO SAÚDE SEGUE ENFRENTANDO RECLAMAÇÕES DA POPULAÇÃO
Educaipira e Marcha para Jesus consumiram mais de R$ 428 mil dos cofres públicos. Enquanto isso, pacientes continuam relatando dificuldades para conseguir atendimento e vereadores precisaram intervir em um caso que ganhou repercussão nas redes sociais.
Em apenas dois finais de semana consecutivos, a Prefeitura de Leme destinou mais de R$ 428 mil para a realização de dois eventos públicos: a Educaipira 2026 e a Marcha para Jesus.
Os números chamam a atenção, principalmente porque ocorrem em um momento em que moradores continuam relatando dificuldades para conseguir consultas, exames, cirurgias, atendimento especializado e outros serviços essenciais da saúde pública.
Segundo levantamento realizado pelo Jornal Tribuna de Leme, a Educaipira já acumula mais de R$ 342 mil em despesas. O valor contempla gastos com shows, locução, ECAD, locação de estruturas, tendas, palco, iluminação, painéis de LED, banheiros químicos, gradis, mesas, cadeiras e diversos equipamentos utilizados durante o evento.
Entretanto, esse valor ainda pode aumentar, já que despesas com segurança, decoração, materiais elétricos, geradores, mão de obra e outros serviços necessários para a realização da festa ainda não aparecem integralmente no levantamento realizado.
Já a Marcha para Jesus consumiu mais de R$ 86 mil em recursos públicos municipais.
Somados, os dois eventos ultrapassam R$ 428 mil investidos em apenas duas semanas.
ENQUANTO ISSO, UM APELO POR ATENDIMENTO MOBILIZOU A CIDADE
No mesmo período em que a cidade promovia eventos, uma publicação feita por uma moradora nas redes sociais pedindo ajuda para o pai sensibilizou centenas de pessoas.
O paciente necessitava de cuidados médicos e a situação rapidamente ganhou repercussão.
Após tomar conhecimento do caso, o vereador e médico Dr. David Pedrão entrou em contato com a família, foi até a residência do paciente, realizou os primeiros cuidados, conversou com os médicos responsáveis pelo tratamento e articulou sua internação na Santa Casa de Misericórdia para que pudesse receber assistência adequada até a consulta especializada.
Posteriormente, com o apoio do vereador Nivaldo Cabeludo, o paciente foi encaminhado para atendimento com especialista em cabeça e pescoço, em Araras, onde iniciou a realização de exames complementares para definição do diagnóstico e tratamento.
A atuação dos vereadores foi reconhecida pela família e repercutiu positivamente entre moradores, que destacaram a rapidez e a sensibilidade no atendimento ao caso.
DEBATE SOBRE PRIORIDADES
Os gastos com eventos voltam a levantar um debate recorrente no município: quais devem ser as prioridades da administração pública?
Nos últimos meses, moradores têm relatado problemas relacionados à demora por consultas especializadas, filas para cirurgias, dificuldades no transporte de pacientes, falta de profissionais em algumas unidades de saúde, escolas necessitando de manutenção, atrasos na entrega de uniformes escolares e reclamações sobre a conservação das vias públicas.
Ao mesmo tempo, o município continua promovendo eventos que exigem significativa estrutura e contratação de serviços.
Levantamentos já divulgados anteriormente apontam que, somente em 2026, as despesas com shows, eventos e estruturas para festividades municipais se aproximam da marca de R$ 2 milhões.
POPULAÇÃO ESPERA EQUILÍBRIO ENTRE LAZER E SERVIÇOS ESSENCIAIS
Eventos culturais, educacionais e religiosos fazem parte das políticas públicas e possuem importância social e cultural para a comunidade.
Entretanto, cresce entre parte da população o entendimento de que investimentos dessa natureza precisam caminhar lado a lado com respostas efetivas para problemas considerados urgentes, especialmente na saúde pública.
O contraste entre os recursos destinados aos eventos e as dificuldades enfrentadas diariamente por pacientes continua alimentando questionamentos sobre as prioridades da gestão municipal.
Afinal, enquanto quase meio milhão de reais foi destinado à realização de dois eventos em apenas dois finais de semana, muitos cidadãos continuam aguardando consultas, exames, cirurgias e atendimento especializado, reforçando um debate que permanece aberto: qual deve ser a prioridade quando os recursos públicos precisam atender tantas demandas da população?
Seguimos sem resposta... Lamentável.