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DECLARAÇÃO DE SECRETÁRIA DE SAÚDE EXPÕE PRESSÃO DE VEREADORES EM AGENDAMENTOS DE CONSULTAS E EXAMES E LEVANTA QUESTIONAMENTOS SOBRE O SUS
Jornal Tribuna de Leme | 28/06/2026

DECLARAÇÃO DE SECRETÁRIA DE SAÚDE EXPÕE PRESSÃO DE VEREADORES EM AGENDAMENTOS DE CONSULTAS E EXAMES E LEVANTA QUESTIONAMENTOS SOBRE O SUS

Declarações feitas durante sessão da Câmara acendem alerta sobre critérios de acesso a consultas e exames na rede pública

A participação da secretária municipal de Saúde, Lisete Ganéo, na sessão da Câmara Municipal realizada na última segunda-feira, 22 de junho, provocou forte repercussão entre vereadores e cidadãos que acompanharam os debates sobre a situação da saúde pública no município.

Convocada para prestar esclarecimentos sobre diversos temas relacionados ao atendimento da população, filas de espera, consultas, exames e estrutura da rede municipal, a secretária fez declarações que chamaram a atenção ao abordar as dificuldades enfrentadas pela pasta e as pressões existentes sobre o sistema de agendamento da saúde.

Durante sua fala, Lisete relembrou decisões administrativas adotadas em anos anteriores, ainda na gestão do prefeito Claudemir Borges, enquanto ela era Secretária Adjunta de Saúde, especialmente a concentração de serviços especializados em um único local, medida da qual, segundo relatou, teria discordado à época por entender que a estrutura e o número de profissionais poderiam não ser suficientes para absorver toda a demanda.

Segundo a secretária, a atual gestão da pasta estaria trabalhando para minimizar os impactos dessa concentração, buscando reorganizar espaços e serviços para melhorar o atendimento aos usuários do SUS - Sistema Único de Saúde.

PRESSÕES SOBRE O SISTEMA DE AGENDAMENTO

O momento que mais repercutiu durante a sessão ocorreu quando a secretária abordou as pressões que, segundo ela, recaem diariamente sobre a estrutura de saúde.

Em seu relato, Lisete afirmou que frequentemente existem pedidos de vereadores para que determinados casos recebam tratamento prioritário nos agendamentos de consultas e exames. Segundo ela, esse tipo de situação cria dificuldades para a organização das filas e pode impactar diretamente a gestão dos atendimentos.

As declarações geraram questionamentos imediatos sobre quais seriam os critérios utilizados para definição de prioridades e de que forma o município controla os agendamentos realizados na rede pública. Segundo a secretária, os pacientes que não possuem “apadrinhamento” político de vereador, teria que continuar a aguardar no final da fila o agendamento da sua consulta ou exame, enquanto os pedidos de vereadores são passados na frente.

NECESSIDADE DE TRANSPARÊNCIA

Especialistas em gestão pública costumam defender que sistemas de saúde pública devem possuir critérios objetivos, transparentes e auditáveis para a marcação de consultas, exames e procedimentos, garantindo que o atendimento ocorra de acordo com protocolos clínicos, grau de urgência e ordem de espera estabelecida pelos sistemas oficiais.

A transparência nesses processos é considerada fundamental para assegurar a confiança da população e evitar dúvidas sobre a equidade no acesso aos serviços públicos.

TEMA PODE EXIGIR ESCLARECIMENTOS

Diante da repercussão das declarações, cresce a expectativa para que o tema seja aprofundado por meio de requerimentos, pedidos de informação e outros instrumentos de fiscalização previstos na legislação.

A discussão também poderá envolver a análise dos fluxos de agendamento, dos protocolos adotados pela Secretaria Municipal de Saúde e dos mecanismos de controle existentes para garantir que os atendimentos ocorram de forma justa e transparente. A fala da secretária de saúde é séria e merece uma séria investigação pelo Ministério Público do uso indevido do sistema de saúde para favorecimento de vereadores.

POPULAÇÃO QUER RESPOSTAS

Enquanto o debate político ganha força, a principal preocupação da população continua sendo a redução das filas, a ampliação do acesso a consultas e exames e a melhoria da qualidade dos serviços prestados.

Independentemente das divergências políticas, a expectativa dos usuários do SUS é que todos os cidadãos sejam atendidos com igualdade de condições, observando critérios técnicos e respeitando os princípios da impessoalidade, moralidade e eficiência que regem a administração pública.

As declarações da secretária colocaram um tema sensível em evidência. Agora, caberá aos órgãos competentes, aos vereadores e à própria administração municipal prestar os esclarecimentos necessários para que a população compreenda exatamente como funcionam os mecanismos de agendamento e prioridade dentro da rede pública de saúde.

Estaremos acompanhando o que será de fato feito.